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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 50

"Valentina"

Não havia trégua naquele escritório, era trabalho pesado sem intervalo. O Dante me explicou as movimentações de capital, as fraudes de notas fiscais que o Otto vinha maquiando e as cláusulas estatutárias que usaríamos para desarmá-lo no Conselho dali a cinco dias. Eu me sentei numa mesa lateral para ler tudo o que ele tinha me passado, mas passei parte do tempo observando como ele trabalhava. Ele não parava, não se distraía, tomava decisões rápidas, tinha a mente afiada e não perdia tempo com bobagens. E eu acho que se não tivesse providenciado as refeições dele e bastante líquido, ele não teria comido e estaria desidratado.

À tarde, depois de voltar para a sala com um lanche para ele, ao fechar as portas duplas eu notei as rachaduras no gesso, como se aquelas portas tivessem sido baridas com muita força. E de tudo o que eu já tinha visto naquele prédio, esse era o único defeito, todo o resto era impecável. Eu não ia perder a oportunidade de brincar com ele.

- Puxa vida, Sr. Montenegro… - Eu falei em alto e bom som, o tom de voz carregado de sarcasmo. - O homem mais rico de Vale das Vertentes, dono de um império de engenharia civil, não tem dinheiro para consertar o reboco do próprio escritório? Pelo visto, você só é bom em demolir as coisas.

O Dante levantou os olhos de sei lá o quê estava lendo e olhou direto para o gesso danificado. Ele sorriu de lado, um sorriso lento e arrogante.

- Eu não tenho o menor interesse em restaurar essa estrutura, Encrenca. - Ele respondeu, se recostando na cadeira. - Considere essas rachaduras como um monumento ao início da nossa aliança. É uma lembrança da sua adorável invasão na minha vida. Toda vez que olho para esse gesso estragado, me lembro do exato momento em que decidi que ninguém neste mundo, além de mim, tem o direito de encostar a mão nas suas curvas.

Eu senti as minhas bochechas queimarem, eu não esperava aquela resposta.

- Você está engraçadinho, Montenegro! Fico todo confiante aqui no seu castelinho, não é?! - Eu resmunguei.

- É, eu fico mesmo! - Ele sorriu lindamente. - Aqui eu fico em minha pele, Encrenca. É o meu lugar, onde eu sei quem eu sou e o que tenho que fazer. É o meu reino!

- Eu entendo isso. Costumava me sentir assim no meu estúdio. Lembra, aquele que você derrubou? - Eu falei sério, mas ele ficou desconcertado, como se não se orgulhasse tanto assim mais de ter jogado o prédio no chão. - Ainda bem que o novo estúdio vai ser muito melhor. Adorei as ideias do arquiteto. - Eu sorri e ele respirou aliviado.

Quando voltamos para a mansão à noite, subimos direto para a suíte para fugir dos agregados. Depois de um banho e do jantar, eu já estava me preparando para o terror da injeção, que não estava sendo tão terror assim e eu tinha que admitir. Eu estava no closet, terminando de abotoar a camisa do Dante que eu peguei para dormir. Ele entrou sem cerimônia e se aproximou por trás de mim em silêncio. Eu senti o calor do corpo dele me envolver como uma muralha.

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