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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 51

"Valentina"

Eu estava exausta e os olhos inchados de chorar, mas quando a voz de uma secretária atendeu do outro lado, eu usei todo o peso do sobrenome Montenegro que eu agora carregava para exigir falar com o chefe dela.

- Alô? Sra. Montenegro? Aconteceu alguma intercorrência com o Dante? - A voz do médico ecoou polida, mas com uma pressa sutil.

- Dr. Hércules, o Dante teve mais um colapso noite passada, ele teve tremores violentos, náusea, suor, o coração disparou violentamente. - Eu disparei.

- Desculpe, com quem eu estou falando? Essa não é a voz da Sra. Aurélia. - O médico me interrompeu.

- Deus me livre! Aqui é a Valentina Montenegro, esposa do Dante.

- Ah, sim, eu soube que ele se casou.

- Ótimo, vamos ao que interessa. Eu passei a noite inteira segurando o meu marido, com medo do coração dele explodir no peito e aquele negócio explodir na cabeça. Isso é tortura e ele não merece. Tem que haver uma alternativa e eu quero saber qual é. O que nós vamos fazer? Existe algum tratamento experimental, alguma cirurgia na Europa, alguma medicação nova no mundo para frear essa merda de glioma? Nós não podemos ficar sentados esperando essa coisa explodir!

Houve um silêncio pesado e claramente desconfortável do outro lado da linha. Eu esperava a postura firme e inabalável do melhor neurologista da cidade, mas o que ouvi em seguida fez a minha espinha congelar.

- Bem… veja bem, Sra. Montenegro… - O médico gaguejou. Ele limpou a garganta duas vezes, parecendo profundamente desconfortável e hesitante. - O quadro clínico do glioma agressivo é… é de uma progressão severa, como eu já havia elucidado para o primo dele, o Otto. Essas convulsões e síncopes… elas são… são perfeitamente esperadas no espectro terminal. Não há… não há protocolo de tratamento viável na literatura médica atual que mude o prognóstico. O tempo dele está… está se esgotando. A senhora deve apenas oferecer conforto paliativo e…

- Paliativo é o caralho, Doutor! - Eu cortei o homem com fúria cega. - Que porra o senhor andou falando para aquele estúpido do Otto? Com autorização de quem? O que aconteceu com o sigilo e a ética médica?

- Se-senhora... entenda, ele é o parente mais próximo do Sr. Montenegro.

- Ainda que ele fosse o Papai Noel! O seu paciente é o Dante, doutor! O senhor não deveria ter saído por aí espalhando a condição médica dele. No máximo tem que falar comigo, a esposa! E pode esperar, porque eu vou te processar por isso!

Afastei o telefone do ouvido e desliguei a chamada na cara dele com um estalo violento. Fiquei estática na porta do closet. Que porra de médico era aquele que dava informações do paciente para outra pessoa sem autorização? E não era só isso, o homem tinha gaguejado. Eu não confiava naquele médico e precisava dar um jeito de convencer o Dante a procurar uma segunda opinião. Eu descobriria um jeito de ajudar o Dante, nem que eu tivesse que revirar o mundo do avesso.

O Dante começou a se mexer entre os lençóis de seda. Ele se levantou da cama sozinho, esticando os braços e testando os movimentos do corpo. Ele parecia até um pouco mais corado essa manhã e o tremor nas mãos havia desaparecido, o que me deixou temporariamente aliviada. O Dante me olhou de um jeito tão intenso que me deixou com calor.

- Bom dia, Encrenca. Eu te assustei de novo essa noite, me desculpa. - Ele falou meio sem jeito e se aproximou. - Mas agora eu estou me sentindo muito melhor que nos últimos dias. Obrigado por cuidar de mim na madrugada.

Eu não consegui sorrir de volta. Meu coração estava apertado com a pulga que o médico havia plantado atrás da minha orelha. Dei um beijo rápido no rosto dele e sussurrei:

- Que bom que está melhor, Chicletinho. Mas eu acho que você precisa ir a um médico novo.

- Nosso tempo é muito curto, Encrenca, eu não quero perdê-lo correndo atrás do impossível. - O Dante me abraçou. - Olha, eu sei que você fica assustada e preocupada. Eu vou ligar para o Hércules e ver se há algum medicamento que pode ajudar com esses sintomas. Mas antes, eu fiquei te devendo a surpresa de ontem.

- Já está bancando o engraçadinho. - Eu reclamei e ele riu, me puxando para o closet e pegando uma caixinha da prateleira onde estávamos encostados quando ele passou mal.

- Espero que você goste. E antes de reclamar, é um presente, por você estar sendo mais do que precisa ser, por estar cuidando de mim. Por favor, não recuse. - Ele falou de um jeito que tornou impossível que eu recusasse.

Capítulo 51: A gagueira do médico 1

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