"Valentina"
Eu deixei a Tati rindo para trás e marchei de volta para o elevador privativo. Subi os andares com o coração batendo rápido, eu tinha que dar um jeito de falar com o Dornelles longe do Dante, eu não queria chateá-lo ou preocupá-lo. Quando as portas se abriram no andar da presidência eu pensei que era o meu dia de sorte, porque eu dei de cara com o Murilo saindo da sala do Dante. Antes que ele pudesse se afastar, eu corri e agarrei o braço dele com força e o puxei para o recuo do corredor dos arquivos confidenciais, longe dos olhos das secretárias.
O Murilo arqueou as sobrancelhas, assustado com a minha atitude, mas manteve a sua habitual polidez.
- Valentina? O que foi? Não me diga que pegou o Otto cochichando de novo? - Ele sussurrou com preocupação real.
- Acho que é mais com quem aquele encostado anda cochichando além da perua fútil. - Eu respondi num sussurro feroz, o meu rosto a centímetros do dele. - Dornelles, eu passei a madrugada segurando o meu marido, ele vomitou, tremeu como se estivesse tendo uma convulsão, quase que o coração dele explodiu de tão rápido que batia e ele suava como se estivesse debaixo de uma ducha. Hoje cedo eu não aguentei de aflição e enquanto ele dormia eu liguei para o consultório do Dr. Hércules Medina para pressioná-lo por alguma coisa. Sei lá, pelo menos algo para diminuir os sintomas! Eu não suporto, Murilo, essa passividade do Dante diante desse diagnóstico.
- Eu também não gosto disso. Mas o Dante está irredutível.
- Só que eu sou a esposa dele e vou protegê-lo. Ele gostando ou não. Só preciso saber se você está comigo, porque o Dante me disse que eu só posso confiar em você além dele.
- Valentina, eu estou cem por cento com você desde o momento em que eu te dei o mapa para a sala dele dentro do elevador. - O Murilo confirmou com seriedade. - Eu sei que você não vai desistir dele e vai lutar pelo que ele decidir.
- Pois é. Não vou desistir mesmo. Por isso liguei para o médico. Mas sabe o que aconteceu? Pra começar, eu me apresentei como Sra. Montenegro e ele achou que eu era a Aurélia. Tá, eles podem ser amigos, mas eu não sei porque me incomodou. Talvez porque se eles fossem amigos ele reconheceria a voz dela.
- Eles não são amigos. Ela sequer é paciente dele. - O Murilo confirmou.
- Aí, eu farejo as coisas, tenho PHD em problema! Sei muito bem quando as pessoas estão aprontando. - Eu passei as mãos no rosto tentando me concentrar. - Tá, mas aí eu disse que era a esposa do Dante. Mas aí depois que eu pressionei por causa dos sintomas, ele deixou escapar que já tinha explicado tudo para o Otto... o Otto, Dornelles!
- Espera, o Hércules falou sobre o diagnóstico do Dante com o Otto? - O Murilo me encarou preocupado.

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