"Valentina"
Depois de um dia difícil, o silêncio da suíte parecia um refúgio abençoado de toda a guerra daquele dia. Eu estava sentada na cama, vestindo um conjunto de short e camiseta, esperando o Dante com a bendita injeção. Se bem que o Dante estava fazendo aquilo de um jeito que eu provavelmente sentiria saudade quando não precisasse mais enfrentar as agulhas. Eu estava sorrindo com esse pensamento, quando o meu marido parou na minha frente, usando apenas aquela calça de moletom e segurando a seringa com os dedos longos e firmes.
Desta vez, em cima da mesa de cabeceira, havia um pote de cristal reluzindo com sorvete de baunilha e uma calda de morango artesanal ainda morna que ele havia mandado a D. Marta preparar.
- Sorvete e calda de novo. Você não é muito criativo. - Eu zombei dele e ele riu.
- É um clássico que funciona muito bem. Deite-se e feche os olhos, Encrenca. - O Dante ordenou, a sua voz saindo naquele tom grave e rouco.
- Mandão! - Eu bufei, mas fiz exatamente o que ele disse, me preparando psicologicamente para o pânico da agulha enquanto ele levantava a parte de baixo da minha camiseta a transformando em um top.
Mas a picada não veio. O que eu senti em seguida foi um toque gelado e absurdamente delicioso na pele da minha barriga, logo abaixo do umbigo, seguido pelo calor imediato e denso da calda de morango. Antes que eu pudesse abrir a boca para protestar, os lábios quentes e a ponta da língua do Dante colaram na minha pele, lambendo o sorvete com uma lentidão sacana e provocante que enviou uma descarga elétrica violenta direto para o meu baixo ventre. Uma queimação explodiu entre as minhas pernas, me deixando molhada e completamente zonza de desejo. E enquanto ele chupava a minha pele de um jeito sensual, eu senti apenas uma fisgada boba e insignificante no abdômen e o ouvi grunhir de frustração.
- Pronto, Valentina. Já foi. - O Dante sussurrou perto do meu rosto, pressionando o algodão suavemente sobre a minha pele enquanto ele se afastava.
Abri os olhos e o vi guardar a seringa vazia na cabeceira com um sorriso lento, arrogante e vitorioso de canto. Ele havia me confundido e me anestesiado usando tesão. O Dante estendeu a mão para mim, com aquele sorrisinho convencido.
- O ritual da injeção foi concluído com sucesso, Encrenca. Eu sou bom nisso, não sou? - Ele falou cheio de si. - Agora, venha, sua compensação está no banheiro.
- Mauricinho arrogante! - Eu balbuciei e ele riu.


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