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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 67

"Dante"

No momento em que entramos na sala de reuniões o silêncio que se instalou foi absoluto e sufocante. Já estavam todos lá, inclusive a Aurélia e o Otto. Além dos dez acionistas membros do Conselho que estavam sentados ao redor da imensa mesa de vidro. O meu primo Otto ocupava a cadeira da ponta tentando disfarçar a sua soberba, como se estivesse apenas sendo diligente e preocupado, mas assim que ele me viu de pé e aparentemente tão bem, uma nuvem de preocupação pairou sobre a sua cabeça. Eu vi nos olhos dele a incerteza.

Coloquei uma cadeira ao lado da cadeira da presidência na cabeceira da mesa e sentei a Valentina ao meu lado, sob os olhares chocados dos acionistas. O Murilo Dornelles acomodou-se à nossa esquerda, abrindo o notebook corporativo e conectando com a grande tela na parede da sala, com o seu sorriso mais cínico, ciente de que a ratoeira estava armada e alguns sairiam dali feridos.

- Bom dia, senhores membros do Conselho. - Eu comecei, a minha voz cortante e imponente ecoando pelas paredes acústicas com uma segurança que eu senti falta nos últimos tempos. - Antes de darmos início à pauta extraordinária, eu gostaria de saber o que a Sra. Aurélia está fazendo em uma reunião do Conselho. Ela não é membro do Conselho, não é acionista e nunca foi funcionária da holding.

- Dante, eu sou a viúva do seu pai e...

- A viúva do meu pai não possui nenhum direito sobre a holding. Os senhores precisam que o nosso advogado repasse os termos do testamento do meu pai? - Eu interrompi a Aurélia.

- Dante, não fale assim. Eu pedi para a Tia Aurélia estar presente. É para o seu bem, porque eu vejo que você está no limite e não quer aceitar ajuda.

- Isso aqui é uma reunião de Conselho de Acionistas ou uma armadilha de uma intervenção? - A Valentina se levantou, com a voz imponente e séria, encarando o Otto com ferocidade. Eu comecei a pensar quantos segundos ia demorar para ela soltar o primeiro palavrão.

- Olha, Valentina, com o devido respeito, quem não deveria estar aqui é você. O Dante, a Tia Aurélia e eu somos família tentando manter a empresa da família de pé. Você certamente não entende nada de administração e se casou com o Dante nem sei com que tipo de...

- É melhor não terminar essa frase, Otto. - A Valentina advertiu. - Vamos colocar as coisas nos seus devidos lugares aqui. Você e a Aurélia são, no máximo, parentes e isso é muito diferente de ser família. Então não venha com esse discurso hipócrita. A empresa não é de vocês, a empresa é do Dante e estes senhores simpáticos que estão aqui numa reunião convocada por você sem nenhum fundamento, são acionistas. Você é acionista, Otto? - A Valentina lançou um olhar frio e cortante para o Otto. - Não, não é! Nem você, Aurélia. Então o que vocês são? Você, Otto, é primo do meu marido, trabalha nesta empresa por bondade do meu falecido sogro, mas se não fizer o seu trabalho a contento, pode ser demitido como qualquer outro funcionário. E acho que os senhores conselheiros vão concordar comigo, uma empresa só se mantém de pé se todas as engrenagens funcionarem bem. Seu departamento está funcionando bem, Otto? A auditoria vai dizer. Quanto ao lugar onde você mora, isso também foi um ato de bondade do meu falecido sogro. E quanto a você, Aurélia, o que eu posso dizer? Você nunca trabalhou um dia na vida, não é mesmo?! Nunca fez nada por essa empresa. Sim, é a viúva do meu sogro, mas sem direito a nada mais que uma mesada e morar na mansão com condições claras. Agora quanto ao meu casamento com o Dante... - A Valentina sorriu e olhou para mim. - Vocês dois são incapazes de compreender o que nos une porque tudo o que vocês dois entendem é dinheiro e o meu casamento com o Dante está fundado sobre outras bases.

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