"Dante"
O burburinho correu entre os membros do Conselho enquanto eu falava. Eu conhecia aqueles homens, eles não gostavam de perder tempo ou ser feitos de bobos e aconteceram as duas coisas naquela reunião.
- Como os senhores podem verificar pela minha presença e pela minha clareza analítica nesta manhã, a minha saúde está perfeitamente administrável e o meu cérebro está operando em sua máxima lucidez. - Eu declarei com autoridade, acalmando o alvoroço na sala. - O Conselho não precisa se preocupar com a estabilidade financeira ou com a sucessão das Indústrias Montenegro. A holding está blindada. E se, em algum cenário futuro de força maior, eu tiver que me afastar temporariamente para cuidar de qualquer assunto pessoal, a Sra. Valentina Montenegro, como chefe de gabinete da presidência e CEO-in-training, estará plenamente capacitada, autorizada e respaldada pelo meu controle acionário majoritário para me substituir com plenos poderes de decisão. - Eu espalmei as mãos sobre a mesa e olhei para cada um deles. - O nosso estatuto é claro. Eu sou acionista majoritário. Ninguém toca na minha cadeira.
Um murmúrio de submissão e respeito correu pela mesa. Os conselheiros assentiram com a cabeça, considerando a pauta extraordinária encerrada por falta de objeto de fato.
- A reunião está encerrada, senhores. - O Murilo anunciou com o seu tom mais presunçoso e satisfeito, fechando a tela do notebook com um estalo vitorioso. - Otto, a auditoria continuará recolhendo os documentos do seu departamento até o final da tarde. Sugiro que vá organizar as suas gavetas.
O Otto nos encarou com o rosto queimando em chamas de humilhação e ódio mortal, enquanto os acionistas deixavam a sala. Ele arrastou a cadeira com raiva e se levantou.
- Você sabe que está doente, Dante. E é grave. Eu só me preocupo com você. Você não vai conseguir manter isso por muito tempo. - O Otto não ia parar, a ganância dele era grande demais.
- E como você sabe da minha saúde, Otto? Só vejo duas maneiras, ou você subornou o médico, ou tem uma escuta na minha sala. Qualquer uma das opções me dá o direito de te demitir e te processar. Então me diga, qual das duas opções? - Eu perguntei, mas sabia a resposta.
- Dante, eu vi os sintomas. Eu ouvi vocês. Eu deduzi! - Ele gritou irritado.
- Ah, eram só sintomas de cansaço, mas eu já estou bem. - Eu declarei.
- Vou te dizer uma coisa, encostado, mexe com o meu marido de novo, arma outro circo desses, que eu te jogo na rua e você nem vai poder ser chamado de suburbano porque não terá nem uma casinha no subúrbio para morar, vai ser sem teto mesmo! - A Valentina deu dois passos em direção ao Otto.
- Este é o seu último aviso, Otto, não cobice o que tem dono. - Eu avisei e ele saiu batendo as portas, derrotado e irritado. Mas eu já esperava que ele armasse outro ataque depressa. Era assim que as traições aconteciam, insistentemente até te derrubar. Eu não podia relaxar.
Eu voltei a me sentar e olhei para a Valentina ela ostentava um sorriso vitorioso.
- Eu mandei bem, não mandei? - A Valentina perguntou cheia de si. Eu sorri e olhei para o Murilo.
- O que você acha, Murilo? - Eu perguntei.
- Ela foi perfeita! Dominou o Conselho, escorraçou o Otto e tudo isso enquanto te deixava boquiaberto. - O Murilo brincou, mas não estava errado.

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