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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 71

"Dante"

A Valentina voando naquela barra de aço foi a visão mais avassaladora da minha vida. Se eu pudesse viver cem anos, eu me lembraria todos os dias daquele momento. Ela voou como um anjo! Ela fez movimentos que eu ainda tentava entender como a gravidade permitia. Mas a forma graciosa, sexy e erótica com que ela parecia naquele momento fez a minha mente explodir.

A forma como a lingerie abraçava as suas curvas, enquanto os cabelos acompanhavam cada movimento, o corpo dela se movia com leveza natural e o salto alto continuava alongando as suas pernas ao infinito me deixou completamente mudo, estático na poltrona de couro e sofrendo um colapso de puro deslumbramento, enquanto as minhas mãos agarravam os braços do estofado com tanta força que os meus nós dos dedos ficaram brancos e eu tentava me lembrar de respirar e engolir, porque eu literalmente babei e agora o meu paletó estava manchado.

Ver o corpo dela desafiar a gravidade, descendo em um rodopio gracioso de ponta-cabeça, enquanto Phil Collins cantava a súplica por uma nova chance afirmando que havia uma chance contra todas as probabilidades, destruiu o meu juízo. Era como se ela gritasse para mim com aqueles movimentos: "dê uma olhada em mim agora" e fique comigo!

Quando ela terminou a performance e parou de pé na minha frente, ofegante e com a certeza de que havia dominado o mauricinho, o meu instinto explodiu. Não era mais o que eu podia fazer, era o que eu queria fazer, e eu queria uma nova chance, eu queria poder estar inteiro, contra todas as probabilidades. Eu me levantei em um transe reverente. O impulso de quebrar todas as cláusulas frias do contrato, esquecer as regras, rasgar aquela renda branca e torná-la inteiramente minha ali mesmo, naquele piso de madeira, foi quase incontrolável.

Eu me aproximei, segurei o rosto dela com as duas mãos, meu corpo queimava por ela, eu a puxei para um beijo desesperado que acabou com qualquer resto de bom senso que eu ainda tinha. Eu senti o pulsar desgovernado do coração dela contra o meu peito, ou talvez fosse o meu próprio coração colapsando, e a ereção dolorosa e violenta que castigou o tecido da minha calça não deixava dúvida do meu completo desespero por ela.

Mas num milésimo de segundo, a realidade sorriu para mim, cruel e diabólica, aquela mulher merecia mais e merecia proteção, uma proteção que ainda não estava totalmente garantida. Eu precisei de um esforço monumental para afastar os meus lábios e não consumi-la inteira ali mesmo. E quando eu me afastei eu vi a dor nos olhos dela, enquanto uma lágrima solitário rolou pelo seu rosto e eu ergui o polegar para limpar. E foi no momento em que ela repetiu o gesto no meu rosto que eu percebi que também havia me escapado uma lágrima. Nós choramos um pelo outro.

Nós retornamos para a mansão no meio da noite sob uma eletricidade silenciosa. Enquanto a Valentina tomava banho, eu estava na sacada do quarto respirando e depois eu ainda precisei de um banho longo e frio para acalmar o sangue antes de me deitar. Em outros tempos eu teria ido para a academia e so'ca'do o sa'co de areia até estar exausto, mas nem isso eu podia fazer. Então me restava banho frio e respiração.

Quando saí do banho, a Valentina estava deitada de lado nos lençóis, vestindo uma camiseta de algodão macia e folgada. Ela não estava dormindo e nem tentou fingir que estava. Eu me deitei e a puxei para o meu abraço, de conchinha, um conforto que eu não conseguia mais me ver sem. Minha mão longa e firme descansava sobre a cintura dela, subindo e descendo no ritmo compassado da sua respiração. Vez ou outra ela suspirava, um suspiro de lamento.

Eu aproximei os meus lábios da nuca dela, inspirando o cheiro de amêndoa e cacau da pele dela. Depositei um beijo ali e quebrei o silêncio com a pergunta que vinha rodando a minha cabeça:

- Encrenca… por que você escolheu o pole dance? De onde veio o seu interesse para dominar aquela barra de metal?

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