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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 76

"Aroldo"

Eu mandei a minha mãe para aquele lar de idosos e expulsei a Valentina porque pensei que finalmente teria paz e tranquilidade na minha casa. Mas o clima na mesa do café da manhã era o de uma guerra prestes a começar. E eu que pensava que ia viver melhor... agora eu encarava a minha xícara de café sem conseguir engolir um único gole, sentindo o nó da minha gravata como se fosse o laço de uma forca. E o pior era a humilhação e o pavor que o Dante Montenegro e o seu advogado haviam me feito passar. Eu havia sido escorraçado como se não fosse ninguém. Mas o que eu ainda não conseguia compreender era como a Valentina se casou com o homem mais rico da cidade.

Minha esposa bateu a xícara de café com força contra o pires, me tirando dos meus pensamentos com um olhar ríspido.

- Aroldo, dá para você me dizer que cara de velório é essa? Tem dois dias que você está parecendo um saco de ossos perambulando pela casa... o que está acontecendo? - A Marli cobrou, ajeitando as bijuterias nos dedos. - Você passou a noite em claro, andando de um lado para o outro na sala, e agora nem toca na comida. O que está acontecendo?

Antes que eu pudesse formular uma mentira aceitável, minha filha entrou na sala bufando de raiva, puxando a cadeira ruidosamente, com um ódio escancarado no rosto e fazendo bico.

- Que inferno que foi o meu dia ontem, pai! - A Agatha gritou histérica, cruzando os braços e jogando o prato com a torrada que a Marli ofereceu sobre a mesa. - Você já pagou o cartão de crédito? Eu passei o maior carão da minha vida no shopping ontem! Passei mais de duas horas escolhendo roupas e sapatos, e na hora de pagar no caixa, a mulher disse que o cartão foi recusado por falta de fundos! Eu exigi que ela passasse de novo, mas foi recusado de novo! Eu não tinha dinheiro suficiente na minha conta e você não me atendeu. Todo mundo na fila ficou me olhando como se eu fosse uma caloteira! Que palhaçada é essa, Aroldo Camargo?

- Abaixa o tom, Agatha! Eu não estou com paciência. - Eu avisei. Mas eu não poderia esconder aquilo mais, eu ainda não tinha encontrado uma solução e elas ficariam sem cartão de crédito e eu provavelmente teria que vender o carro da Agatha.

- Eu não pude pagar os cartões. E nós estamos sem dinheiro. Todas as contas foram bloqueadas judicialmente. - Eu avisei.

A Marli deu um pulo da cadeira, o rosto empalidecendo por trás da maquiagem carregada que ela sempre fazia logo pela manhã, fazia parte da sua pose de "classe média alta".

- Bloqueio judicial, Aroldo? - A minha esposa segurou o meu braço com força, as unhas cravando no tecido da minha camisa. - O que foi que você aprontou no escritório de despachante? Me diz que isso é um erro desse banco e que nós vamos processá-los e ficar ricos!

Eu soltei um suspiro pesado, espalmando as mãos na mesa, e resolvi descarregar a bomba de uma vez só.

Capítulo 76: Enquanto isso na família Camargo... 1

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