"Valentina"
Eu pensei que depois de passada a reunião do conselho, nós teríamos pelo menos um dia de paz nesse escritório. Mas não, a rotina do Dante era intensa e eu já começava a me preocupar que toda aquela quantidade de problemas elevando os níveis de cortisol no organismo dele poderiam trazer de volta aqueles sintomas horríveis.
- Dante. - Eu aproveitei enquanto o Murilo atendia uma ligação e fui até a mesa dele. Ele ergueu a cabeça, sorriu e virou a cadeira para ficar de frente para mim. - Você não deveria trabalhar tanto, isso pode te fazer mal.
- Está preocupada comigo, Encrenca? - Ele se recostou na cadeira. Eu me abaixei e o encarei.
- Claro que estou, você é meu marido e... meu namorado. - Eu falei mais baixo espelhando o sorriso dele cada vez maior. Ele me puxou e eu caí sentada no seu colo.
- Acho que podemos fazer uma pausa. - Ele falou bem perto do meu ouvido.
Ele estava prestes a me beijar quando o toque eletrônico do interfone na mesa nos interrompeu. Antes que o Dante tirasse as mãos da minha cintura, eu apertei o botão e atendi a secretária.
- Sim, Aline?
- Sra. Montenegro, há uma jovem chamada Agatha Camargo na recepção do térreo. Ela está visivelmente abalada, chorando muito, e insiste em subir. Ela alega que precisa falar com a senhora com urgência. Os seguranças estão aguardando a sua ordem para barrá-la ou liberá-la. - A voz da secretária ecoou formal, mas com um traço claro de desconforto.
Eu fiquei rígida no colo do Dante, o meu sangue esfriando na hora enquanto eu estalava a língua. Aquela irritante da Agatha. Será que aquela família ia fazer procissão aqui na empresa todos os dias agora? Minha vida estava tão tranquila sem notícia deles.
- O que você quer fazer, Encrenca? - O Dante perguntou cauteloso.
- Eu quero entender porque os mesmos seguranças que já quiseram me jogar na rua, ainda não colocaram aquela purgante da Agatha pra correr? - Eu perguntei irritada.
- Vou dizer a segurança para barrá-la, senho...
- Deixa aquele parasita de shopping subir, Aline. Eu apenas fiz um desabafo sobre a estranha seletividade da equipe de segurança. - Eu ordenei em alto e bom som, olhando seriamente para o Dante. - Eu faço questão de assistir ao tamanho do circo que a minha nada querida família montou para mim hoje.


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