"Valentina"
Eu conhecia muito bem aquele discurso da Agatha, só que geralmente ele era feito com menos suavidade, mas ela estava sempre tentando me diminuir, espalhando fofocas de que eu andava em más companhias e que os pais maravilhosos dela tentaram em vão me ensinar alguma decência. É, não tinha jeito, eu odiava a Agatha!
- Eu certamente não tenho nada para desculpar a minha esposa. - O Dante falou com a voz mais severa, antes que eu pudesse responder.
O Dante me defender era algo que me deixava abobalhada, porque eu nunca tinha sido defendida por ninguém antes, só pela Tati.
- Você ouviu o meu marido. - Eu falei com um sorriso convencido. - Deixa eu te dizer uma coisa, princesinha de marca falsificada, a única coisa que a sua "santa mãe" tentou fazer, foi me transformar em uma serviçal dentro daquela casa. Aliás, você também fez isso, ou você pensa que eu esqueci, Agatha?
- Valentina, você enlouqueceu… eu vim em missão de paz… - Ela gaguejou e olhou suplicante para o Dante.
- Você me acha tão burra assim, Agatha? Acha que eu não sei o que você realmente quer? - Eu a encarei.
Ela sabia que não conseguiria nada de mim e mudou completamente de tática, ignorou a minha presença e se inclinou de forma dissimulada na direção do Dante, piscando os olhos como uma boneca delicada.
- Sr. Montenegro, a Valentina tem esse complexo terrível, acha que qualquer coisa que falamos é para humilhá-la. O senhor vê, ela não tem classe e nem elegância, vai envergonhá-lo aqui na empresa, eu sei como é embaraçoso, ela já me envergonhou tantas vezes. Mas eu amo a minha prima e vou dizer uma coisa, talvez o senhor precise contratar alguém... uma assessoria mais... delicada para estar ao seu lado na empresa, alguém que realmente entenda de etiqueta, bons modos e que saiba valorizar a imponência das Indústrias Montenegro. Para o próprio bem da Valentina, para evitar que ela se torne a piada dos seus funcionários, talvez ela deva ficar em casa. Eu estou inteiramente à disposição do senhor, Dante, para ajudá-lo em qualquer coisa que precisar.
- Mas é uma piranha dissimulada mesmo! - Eu bufei.
- Deixe-me dizer uma coisa, eu não sou estúpido e sei exatamente o que a senhorita está fazendo. Não vai funcionar. Eu reconheço um oportunista a quilômetros de distância. Então, pare de teatro e diga logo a minha esposa o que vocês querem, porque eu já estou sem paciência. - O Dante falou sério, parecia irritado e olhava para a Agatha do mesmo jeito que olhava para a Aurélia.

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