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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 86

"Dante"

O jato de água fria do chuveiro demorou a cumprir o seu papel, acalmar o incêndio que corria nas minhas veias, mas o meu peito continuava apertado por uma urgência que eu nunca havia sentido. Eu fechei o registro, amarrei a toalha na cintura e saí para a penumbra do quarto com a mente funcionando como uma locomotiva.

Eu caminhei até a borda da cama e olhei para a Valentina. Minha Encrenca dormia profundamente, o corpo relaxado e vestindo uma das minhas camisas que ela adorava pegar do closet. Ela parecia exausta, a expressão suave e desarmada. A Valentina tinha muita carga sobre os ombros e eu ainda coloquei a minha, a arrastei para essa loucura sem me preocupar com os sentimentos dela. Quando eu propus o casamento, eu apenas pensei em termos práticos e necessidades palpáveis, ela precisava de dinheiro e eu de um herdeiro, mas eu não pensei que nos envolveríamos tão rápido. E agora eu não queria deixar essa mulher.

Eu peguei a seringa da fertilização na gaveta da mesa de cabeceira, preparei a dosagem dos hormônios, ainda admirando os meus dedos que milagrosamente não tremiam mais, e me aproximei dela devagar. Levantei a barra da camisa com cuidado para não atrapalhar o sono dela. Apliquei a injeção rapidamente, pressionando o algodão logo em seguida. A Valentina sequer se moveu, apenas soltou um suspiro.

Antes que eu me deitasse, o meu celular vibrou sobre a mesinha de cabeceira, eu o peguei e fui ao closet atender.

- Você perdeu a hora hoje, Murilo. - Eu falei em um tom sério.

- Eu estou atrasado dez minutos para essa ligação Dante. O que aconteceu? - O Murilo perguntou aflito.

Eu conversei com o Murilo por algum tempo, sobre o que tinha acontecido e sobre a agonia que agora eu sentia para encontrar uma alternativa. Meu amigo me ouviu pacientemente. E depois de desabafar com o Murilo por um longo tempo, eu voltei para o quarto e me deitei ao lado da Valentina, puxando-a para o meu abraço, colando o seu quadril contra o meu. Era impressionante como o meu corpo reagia ao dela com o menor estímulo.

Fiquei ali, no escuro da madrugada, contemplando o rosto dela e sentindo um desespero silencioso e avassalador começar a corroer o meu peito. Eu não podia simplesmente deixá-la. Eu não queria ir embora. Eu não podia permitir que aquele maldito tumor cerebral arrancasse o mundo que a Valentina estava me devolvendo. Eu precisava de um tratamento. Eu precisava de uma segunda opinião. Eu precisava de qualquer coisa que me desse mais tempo. E o que mais me assustava era saber que olhar para a Sra. Montenegro era o meu único motivo para querer driblar a morte e continuar vivo.

As cortinas estavam abertas e os primeiros raios de sol de domingo entraram pelas vidraças, inundando o quarto de luz. Eu abri os olhos, imerso em uma intimidade mansa, agradável e cheia de preguiça com a Valentina, que se espreguiçou de lado e se virou, passando os braços pelo meu pescoço com um desejo escancarado no rosto, a boca roçando a minha.

- Bom dia, Chicletinho! - Ela murmurou com a voz rouca do sono, abrindo um sorriso enorme de alegria que foi direto ao meu coração.

- Bom dia, Encrenca! Como você está se sentindo?

- Hum... relaxada! - Ela confessou e eu senti um certo orgulho por isso. - Dante, obrigada por essa noite. Eu sei que você ficou...

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