"Otto"
Eu quase quebrei o volante de couro do meu carro de tanto apertá-lo. Minhas mãos tremiam de uma fúria cega, assassina e descontrolada enquanto eu dirigia, a minha mente repassando a humilhação que eu acabara de sofrer perante o Conselho de Acionistas. Aqueles velhos babacas! Se faziam de amiguinhos, mas foi só o Dante bater palma que eles me abandonaram. Mas isso não ia ficar assim, eu ia voltar e seria em grande estilo.
E aquela vadia da Valentina... o estalo daquele tapa violento que ela me desferiu no rosto ainda queimava na minha pele, e o som daquela gargalhada ecoava nos meus ouvidos como a porra de uma sinfonia do inferno.
Eu havia sido escorraçado. Demitido por justa causa, fui expulso do império que o meu tio construiu e que deveria ser meu, MEU! Fui escoltado por dois seguranças como se eu fosse um ladrãozinho de feira, sob os olhares curiosos de todos os funcionários. A minha dignidade foi reduzida a cinzas.
E ela não parava, ainda me transformou na piada do mercado com seus comentários chulos, me igualando a uma "raposa no galinheiro" e o deboche sobre eu parecer uma "esposa traída que pega o marido no flagra". Como eu odiava aquela mulher! Mas o Dante Montenegro ia pagar caro. Ele achava que havia me vencido, mas eu ia acabar com ele. O moribundo não ia usufruir daquele trono por muito tempo e eu estava só esperando para pegar tudo o que deveria ser meu.
Eu estacionei o carro de qualquer jeito na calçada em frente a casa da família daquela vadia da Valentina. Que bairro medíocre! Tirei a gravata, abrindo o colarinho da camisa, e caminhei até o portão, dando um longo toque na campainha. A Agatha veio abrir.
- Nossa! Que cara! O que aconteceu? - A Agatha perguntou.
- Seu pai já chegou? - Eu quis saber e ela se virou e caminhou para dentro da casa. Eu a segui bufando.
Sentados no sofá, com os rostos carregados de ódio e ganância que denunciavam o desespero deles, estavam os pais da Agatha. Eles estavam falidos, todo o patrimônio bloqueado e estavam desesperados para morder uma gorda fatia do dinheiro que o meu primo representava.
- Senta. Pai, mãe, esse é o Otto. Otto, esses são meus pais, Aroldo e Marli. - A Agatha falou sem nenhuma gentileza.
- A Agatha nos disse que você não gosta da minha sobrinha. - O Aroldo falou.
- Eu odeio aquela vadia! - Eu declarei. - E a madrasta do Dante também não a suporta. Se nos unirmos, todos nós saimos ganhando.
- O que aconteceu na holding, Otto? - A Agatha exigiu outra vez. - O seu plano de me levar como convidada para a piscina da mansão foi um desastre! Aquela gorda desleixada me humilhou na frente do Dante e mandou o segurança me jogar na rua como se eu fosse lixo!
- Esquece o show da piscina, Agatha! - Eu esbravejei em um sussurro feroz. - O Dante me demitiu por justa causa hoje. Eu fui escorraçado da empresa.
- Demitido? Mas isso é péssimo! Como eu vou entrar na empresa se você não trabalha mais lá? - A Agatha reclamou.
- Presta atenção, Agatha. Nós precisamos separar a Valentina e o Dante. Aí eu volto para a empresa. - Eu declarei.

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