RENAN NARRANDO:
Meu detetive me informou sobre seus estudos em Los Angeles, algumas das suas conexões, de como ela se divertia com homens e mulheres. Eu sabia muito mais do que ela imaginava.
— Tudo, mas principalmente a natureza. Já trabalhei na produção de alguns filmes, fiz muitos contatos morando em Los Angeles... ainda estou decidindo, mas quero ter meu próprio estúdio e produtora.
Ela falava com uma paixão que era impossível ignorar. O brilho nos olhos, o brilho... aquilo, de certa forma, a tornava mais atraente. Eu reconheci aquela paixão pelo trabalho. Eu mesmo já havia sido assim um dia, antes daquela traição maldita.
— É um grande projeto... Como você pretende bancar tudo isso? Abrir uma produtora deve ser caro. — Minhas palavras saíram cuidadosas, mas havia mais interesse por trás da pergunta.
Eu queria saber até onde ela estava disposta a ir para alcançar seus sonhos, e saber mais sobre sua família.
Ela riu suavemente, deslizando-se até o meu colo, quebrando qualquer distância que ainda havia entre nós.
— Bom, a ideia é ter algum investidor. Conheço algumas pessoas influentes... De qualquer forma, prefiro estar sempre focada nos meus projetos do que enchendo o saco da vida alheia.
Eu sorri de volta, apreciando sua franqueza. Ela estava me desarmando com aquela autoconfiança, mas eu não podia perder o foco.
— E você é solteira?
A pergunta saiu mais direta do que eu pretendia, mas eu precisava saber mais. Erick tinha me enviado um relatório que a viu beijando outro homem na boate antes de eu chegar, depois a flagrei flertando com o barman, e, ainda assim, ela terminou a noite na minha cama.
Eu não podia confiar completamente nela.
Ela mordeu os lábios, provocante, enquanto deslizava as unhas pelo meu pescoço.
— Sim, sou solteira. Ainda não encontrei um homem com quem eu queira me prender.
A resposta veio com um sorriso que eu já reconheci como o seu truque para manter o controle da conversa. Mas eu estava decidido a virar o jogo.
— Ah, mas você acabou de encontrar — murmurei, deslizando minhas mãos pelas coxas dela, aumentando a tensão no ar.
Ela arqueou uma sobrancelha, mordendo os lábios, e provocou:
— Isso me parece um pedido de compromisso sério...
— Eu sou um homem sério, Duda. Desde que dormimos juntos, não consigo parar de pensar em você. — A segurei pela nuca, olhando fundo nos seus olhos.
Eu poderia dizer qualquer coisa para conquistá-la, e talvez parte de mim até acreditasse no que estava dizendo.
Ela riu, quebrando o clima, como se tentasse manter o controle sobre aquela situação.

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