GISELE NARRANDO:
Meu turno estava finalmente chegando ao fim, e não vou mentir, eu já estava no meu limite. O bar tinha ficado cheio até quase três da manhã, um verdadeiro caos. Agora, só restavam alguns copos para lavar. Foi então que eu o vi. Rodrigo entrou com sua habitual elegância, mas dessa vez, algo parecia diferente. Ele usava uma camisa preta com os primeiros botões abertos, calça social e sapatos impecáveis, como se tivesse vindo direto de alguma reunião de negócios.
Ele caminhou até o balcão, sentou-se bem à minha frente e me encarou com aquele olhar indecifrável.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntei, sem esconder a surpresa.
Rodrigo não era de aparecer assim, ainda mais a essa hora.
— Aqui é um bar, não é? Vim beber. E boa noite pra você também — ele respondeu, claramente sóbrio, mas com um tom que eu não soube identificar de imediato.
— Sim, é um bar que você não costuma frequentar — respondi, tentando manter a conversa leve. — Mas o que vai querer?
Sequei as mãos e terminei de lavar o copo enquanto esperava a resposta.
— Você é a bartender, faz um drink pra mim, surpreenda-me — ele disse, com um sorriso que não chegou aos olhos.
— Acho que você prefere algo mais forte... tequila? — falei, pegando a garrafa de El Toro e servindo-lhe uma dose.
Ele virou o copo de uma vez só.
— Como sabe que eu gosto pura? — ele me perguntou, arqueando a sobrancelha.

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