RODRIGO NARRANDO:
O gosto amargo da tequila desceu queimando minha garganta. Já era quase meio-dia, e eu estava sentado no meu escritório, olhando para a garrafa meio vazia. O barulho do relógio na parede me irritava, e o peso da situação de Micaela rodava na minha cabeça, sem me deixar trabalhar. Especialmente a conversa com Gisele, de madrugada. Não conseguia tirar ela da cabeça, nem o jeito dela quando falamos sobre o que está acontecendo entre nós. Eu estava disposto a conquistá-la, mas era tanta coisa ao mesmo tempo...
Apertei os olhos, sentindo a frustração latejar. Não dava para continuar assim. Chamei Virginia até minha sala e cancelei toda a minha agenda da tarde. Não ia adiantar me forçar a trabalhar, não com a cabeça cheia dessas questões.
Peguei as chaves do carro e dirigi até meu apartamento.
Quando entrei, o silêncio me recebeu. Micaela podia ficar ali, claro, mas a verdade é que o clima entre nós dois estava insuportável. As coisas estavam tensas, complicadas, e eu sabia que ficar por perto seria um erro. Melhor não arriscar. Arrumei uma mala pequena com algumas roupas e decidi que seria melhor ir para a casa dos meus pais. Lá, eu poderia passar mais tempo com o Rodriguinho... e, quem sabe, ver Gisele de novo.
Sorri sozinho, pensando nela. Aquela diabinha linda...
Dirigi sem pressa até a mansão dos meus pais. Os portões se abriram quando me aproximei, e estacionei o carro perto da entrada. Ao descer, um dos seguranças se aproximou.
— Coloca essa mala no meu quarto, por favor. — Entreguei a ele a bagagem e o homem assentiu, saindo para cuidar disso.
A casa ainda tinha aquele toque da minha mãe, sempre impecável, como se eu nunca tivesse saído.
Enquanto caminhava para dentro, escutei vozes e risadas vindo da área externa, além de uma música infantil tocando baixinho. Fui até a piscina, curioso, e lá estavam eles. Duda, Rodriguinho e... Gisele. Todos na água, brincando e rindo como se o mundo lá fora não existisse. Duda nadava de um lado para o outro, rindo alto, enquanto Gisele segurava Rodriguinho, que batia as mãozinhas na água, encantado com tudo.
Olhei ao redor, procurando por meus pais, mas não vi sinal deles.
— Olha só quem apareceu! O senhor chato estraga-festas! — Duda gritou ao me ver, jogando um jato de água em minha direção.
— A gente ainda vai conversar sobre as suas festinhas, Duda. Não pense que esqueci. — Falei me afastando da borda, fingindo irritação, mas não conseguindo segurar um sorriso.
— Bláblá, não ligo. — Ela fez uma careta, e Rodriguinho soltou uma risada deliciosa, aquele tipo de som que aquece o peito de qualquer pai.
— Ei, filho, você tem que ficar do meu lado, sabia? — Me agachei perto da piscina, mais próximo deles.
Gisele levou Rodriguinho até mim, e só de olhar para ela, senti meu coração acelerar.
— Diz oi para o seu papai, filho — Gisele disse com aquele sorriso, que fazia tudo ao meu redor parecer mais leve.
— Papa... — Rodriguinho disse com um sorriso e bateu palmas, todo molhado, o que me fez sorrir ainda mais. Eu acariciei suas bochechas e não consegui esconder o orgulho que sentia de ser pai dele.
— Como você está, Gi? — Perguntei, sem tirar os olhos dela. O rosto molhado, o cabelo grudado no pescoço... ela estava irresistível.
— Estou ótima — ela respondeu rapidamente, sem me olhar muito, desviando o foco para brincar de novo com Rodriguinho.
— Você não tinha que estar trabalhando, senhor estraga-prazeres? — Duda provocou, boiando na água como se fosse a dona do mundo.
— Não tenho que te dar satisfações, senhorita irresponsável. — Respondi, cruzando os braços.
— Chato! Pelo menos entra na piscina com a gente, ou vai ficar aí parado igual um poste? — Ela insistiu, enquanto Rodriguinho batia os pés na água, animado.

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