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Uma noite, uma vida romance Capítulo 110

DUDA NARRANDO:

Eu estava saboreando uma deliciosa taça de sorvete de morango ao lado de Gisele e Rodrigo, aproveitando o clima descontraído da tarde. Rodriguinho, meu sobrinho, tirava um cochilo tranquilo sob a sombra de uma palmeira, com sua babá do lado, e eu podia sentir claramente o clima entre os dois à minha frente. Claro que percebi os olhares que Rodrigo lançou para Gisele, mas decidiu ignorar e deixá-los à vontade.

Não queria ser uma presença intrusiva.

A verdade era que minha atenção estava em outra coisa — ou melhor, em outra pessoa. Meu celular vibrava em cima da mesa, e cada nova mensagem que me chegava arrancava um sorriso.

Era Renato.

Eu me senti leve conversando com ele, mesmo ele estando ocupado na empresa. Quando ele disse o que eu estava fazendo, não resisti. Tirei algumas fotos de biquíni, nada muito ousado, mas o suficiente para mexer com ele, e enviei. Não demorou muito para que ele respondesse com sua provocação típica:

"Você é deliciosa demais, pimentinha..."

Eu me arrepiei só de ler. "Pimentinha" era como ele sempre me chamava quando queria me provocar, e meu coração deu um salto. Sorri de canto, tentando disfarçar, mas sabia que não estava conseguindo esconder totalmente o sorriso bobo no rosto.

“Não me provoque, senão vou aí te sequestrar”, respondi brincando, enquanto Rodrigo e Gisele estavam imersos em uma conversa silenciosa.

De repente, ouvi passos se aproximando.

Minha mãe, dona Madah, surgiu à beira da piscina, com aquele olhar sempre atento, como se estivesse pronta para resolver mais um dos consideráveis ​​problemas do dia. Eu sabia que algo estava fora do lugar assim que vi seu rosto tenso, provavelmente problemas nos negócios, nunca era fácil. Enquanto ela se aproximava da mesa, seu olhar foi direto para Rodrigo, e o tom de surpresa não demorou a aparecer.

— Rodrigo? O que está fazendo aqui nessa hora? — ela disse, surpresa, assim que o viu sentado conosco.

Meu irmão, sempre despreocupado, respondeu com aquele sorriso tranquilo.

— Decidi tirar uma folga, mãe, e aproveitar a tarde com a família — disse ele, casualmente, enquanto dava uma garfada na sobremesa.

— Eu acho isso ótimo, filho — minha mãe disse, acariciando os cabelos dele e dando um beijo em sua testa, em um gesto carinhoso típico dela.

Em seguida, ela beijou a testa de Gisele, depois a minha, e voltou a focar em Rodrigo, mas com uma expressão mais séria.

— E onde está Micaela? — ela falou de forma direta, enquanto eu me servia de mais sorvete, tentando aliviar o clima tenso que se formava.

Gisele olhou para baixo, desconfortável.

Rodrigo soltou um suspiro leve antes de responder, pegando minha mãe e eu completamente desprevenidas.

— Micaela e eu... terminamos — disse ele, calmamente, sem se abalar.

— Sério? — Eu perguntei, olhando para ele e, em seguida, para Gisele, que confirmou com um olhar rápido.

— Eu vou ver o Rodriguinho, com licença — Gisele disse, claramente incomodada, levantando-se da mesa, pegando o bebê e o levando para dentro junto com a babá.

Agora que ficamos apenas nós três, o silêncio durou alguns segundos até minha mãe quebrá-lo com uma pergunta incisiva.

— Hum, então vocês terminaram o noivado? — ela disse, sem rodeios, ainda analisando Rodrigo.

— Sim, mãe. E ela está grávida... — Rodrigo soltou a bomba de uma vez, e eu quase engasguei com o sorvete.

— Mas que merda, Rodrigo! — murmurei, colocando a colher de lado e me recompondo.

Minha mãe arregalou os olhos e, antes que eu pudesse dizer algo, Rodrigo já estava se levantando, aparentemente pronto para mais uma revelação.

— Micaela está grávida? E posso saber por que você está indo atrás da Gisele agora? — minha mãe perguntou, com seu tom firme e nitidamente irritada.

Rodrigo, com sua tranquilidade habitual, respondeu sem hesitar.

— Porque estou apaixonado pela Gisele, mãe. E quero ficar com ela. De qualquer forma, sei das minhas responsabilidades quanto ao filho que a Micaela está esperando, não se preocupe com isso.

Minha mãe ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo as palavras dele. Ela finalmente suspirou e olhou-o com seriedade.

— Filho, eu não tenho que te dizer o que fazer ou como fazer, mas vou te pedir para tomar cuidado. Principalmente para não machucar a Gisele. Ela não merece se magoar, então tome uma decisão e não mude de ideia — sua voz era firme, mas havia um toque de preocupação genuína.

Rodrigo assentiu, inclinando-se para dar um beijo no rosto da nossa mãe.

— Fique tranquila, mãe. Eu já sei o que quero. E é cuidar do meu filho Rodriguinho e da Gisele, nada mais — disse ele, com um sorriso, antes de se afastar da mesa e sair.

Minha mãe, com os olhos ainda fixos na saída de Rodrigo, suspirou pesadamente.

— Gostei da atitude do Rodrigo. Eu já gosto mais da minha Gisele como cunhada — comentei, terminando a taça de sorvete.

Minha mãe pediu à empregada que ela trouxesse um mojito bem gelado, usando suas mãos para se abanar por conta do calor, enquanto se sentava à minha frente.

— Eu só espero que a Micaela não seja um problema — ela disse, visivelmente incomodada.

— Se ela for, é fácil, mãe. Nós cortamos o pescoço dela — brinquei, fazendo um gesto teatral com a mão, simulando um corte no pescoço.

Minha mãe soltou uma risadinha sarcástica, apagando o cigarro no cinzeiro.

— Então você realmente não o conhece.

Eu revirei os olhos, já esperando esse comentário.

— Mãe, estamos indo com calma...

Ela se inclinou para frente, os olhos agora sérios novamente.

— Ir pra cama com um estranho mais de uma vez não é ir com calma, minha filha. Quero que traga ele aqui em casa hoje para jantar. Assim, eu mesma vou analisar.

Engoli em seco. Não queria apresentar Renato assim tão cedo. Sempre fui muito criteriosa com quem levava para casa, principalmente por ter prometido aos meus pais que só traria alguém realmente sério.

— Ah, mãe... eu tô conhecendo ele ainda... Vamos esperar um pouco. — Tentei, mas sabia que não iria funcionar.

— Duda, seu pai está curioso, e eu também. É a primeira vez que te vejo com esse brilho nos olhos e dizendo que quer namorar. Então, preciso conhecer o santo que fez esse milagre. — Sua expressão suavizou, e o sorriso agora parecia mais carinhoso.

Suspirei, sabendo que ela estava falando sério. Não tinha como fugir.

— Mãe, estou apaixonada... — confessei, quase como se fosse algo errado, mas ao mesmo tempo com uma felicidade que eu não conseguia esconder.

— É nítido, minha filha. E é por isso que me preocupo, você nunca foi cega, mas a paixão faz a gente não enxergar certas coisas. Sabe que eu e seu pai sempre demos liberdade para se divertir, mas não se esqueça: você é uma princesa Rodríguez Corleone.

Ela sempre usava essa expressão quando queria me lembrar de nossas raízes e da importância de fazer escolhas certas.

— Ah, mami, você sabe que não acredito em contos de fadas. Mas acho que o Renato faz parte do meu final feliz. Estou até pensando em ficar mais tempo no México, ele tem negócios aqui. — Senti meu coração acelerar só de pensar nisso.

Me levantei e a abracei por trás, envolvendo seus ombros.

Ela sorriu e tocou minha mão.

— Então, traga o Renato para jantar essa noite. Se ele for tão bom assim, você terá nossa bênção.

— Gracias, mami! — Falei, enchendo o rosto dela de beijos. — Vou falar com ele agora!

Saí correndo para o meu quarto, meu coração batendo forte. Já pegava o celular para ligar para Renato. O jantar de hoje seria crucial, e eu só podia torcer para que tudo desse certo.

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