RENAN NARRANDO:
Eu sabia que estava me arriscando mais do que o normal indo até a casa dos pais de Duda. Um movimento em falso, e todo o plano poderia ruir. Mas eu não tinha escolha. O tempo estava contra mim, e eu já tinha chegado longe demais para recuar. A pergunta que não saía da minha cabeça era se os pais dela haviam descoberto sobre mim, se sabiam quem eu realmente era. E, pior, se tudo isso não passava de uma armadilha. Talvez fosse, mas eu precisava correr o risco.
Era tudo ou nada.
Enquanto meu motorista dirigia para o endereço deles, tentava controlar a mente, mas a cada esquina o nome de Rodrigo vinha à tona.
Rodrigo, o bastardo.
Tomara que ele não estivesse lá. Seria mais fácil manter minha identidade falsa, jogar o jogo mais um pouco. Mas, se fosse descoberto, a surpresa que eu preparava seria ainda mais impactante.
Rodrigo não estava pronto para o que eu tinha em mente.
Quando cheguei à mansão, respirei fundo, ajustei o paletó e coloquei meu melhor sorriso no rosto. Eu precisava parecer o homem perfeito para Duda, como se fosse um sonho. Ela apareceu na porta, deslumbrante. Um vestido longo, justo o suficiente para destacar suas curvas de forma impecável. Seu sorriso iluminava tudo ao redor. Por um segundo, meu coração acelerou, não só pela tensão do que eu estava prestes a fazer, mas também pelo efeito que ela tinha sobre mim.
Aquela mulher era uma perdição.
Duda se aproximou, segurou minha mão com suavidade, como se tudo entre nós fosse natural. Eu sabia que não era, mas naquele momento parecia. Ela me conduziu pela casa com tanta confiança que, por um breve instante, quase acreditei que meu plano já estava garantido. Mas, ao cruzarmos a porta da sala, vi o que mais temia.
Rodrigo.
Ele estava lá. Seus olhos se estreitaram no momento em que me viu, e eu pude perceber o desconforto imediato.
Perfeito.
Mantive a pose, o sorriso, e segurei Duda pela cintura, trazendo-a mais perto de mim. Eu podia sentir a tensão aumentar na sala. Rodrigo fechou o punho, e o prazer de vê-lo afetado me deu um gosto amargo e doce ao mesmo tempo.
Ele estava se segurando.
O olhar dele não conseguia esconder a raiva, e eu aproveitei cada segundo daquela cena.
Duda, sem perceber o que se passava, continuava a falar com entusiasmo, sem saber da batalha silenciosa que estava acontecendo entre mim e Rodrigo.
Rodrigo tentou manter a compostura, mas estava claro que eu mexia com ele de uma forma que não queria admitir. Eu podia quase ouvir seus pensamentos, sentir sua raiva. O jogo estava apenas começando, e eu não pretendia parar por aí.
Quando ela me apresentou ao seu pai, Don Raphael, senti de imediato o peso daquele momento. O aperto de mão foi firme, quase esmagador, e ele me encarou com um olhar penetrante. Um tipo de escuridão parecia cercá-lo, uma penumbra que acendeu todos os meus alertas. Este homem não era tolo, e eu sabia que ele seria o maior obstáculo a enfrentar.
Se eu falhasse ali, meu plano desmoronaria.
— Papai, este é o Renato, meu namorado — Duda disse, orgulhosa, mas nervosa o suficiente para que eu notasse o tremor quase imperceptível em sua voz.
— Renato — Don Raphael repetiu, testando o nome na boca, enquanto seu olhar me examinava de cima a baixo. — Prazer. — Ele apertou minha mão com força e demorou alguns segundos a mais do que o necessário, como se tentasse arrancar algo de mim só com o contato.
Mantive o sorriso no rosto, apesar do desconforto, e quando ele soltou minha mão, pude respirar melhor. Mas não tive muito tempo para relaxar. Quando fui cumprimentar Rodrigo, o maldito estava lá, de braços cruzados e com uma expressão que misturava desdém e irritação.
O aperto de mão entre nós foi tudo, menos amistoso. Troquei um olhar rápido e desafiador com ele, sabendo que ambos estávamos cientes do nosso conflito, mas disfarçando para os outros.
— Renato? — ele disse com um riso sarcástico. — Qual é o seu sobrenome mesmo?
— Romanini — respondi sem hesitação, mantendo a compostura.
Rodrigo riu com uma ironia ácida.
— Romanini… claro. Interessante.
Eu sabia que ele estava zombando, mas o sorriso que lhe devolvi foi tão afiado quanto o dele. Ele não conseguiria me derrubar com tão pouco.
Antes que a tensão entre nós explodisse, uma voz feminina se aproximou. Era Maria Madalena, a mãe de Duda. Uma mulher que parecia anos mais jovem do que realmente era. Seus cabelos curtos, perfeitamente arrumados, e o vestido Versace que usava, revelavam o quanto ela cuidava da aparência. Suas tatuagens, que subiam pelos braços, pareciam contar histórias que eu nunca conseguiria ler.
— Duda, você não me disse que tinha uma irmã mais velha — Eu brinquei, lançando um sorriso despretensioso, mas avaliando cada reação.
— Irmã mais velha? — Maria Madalena riu, de forma descontraída. — Quem me dera. Eu sou a mãe dela, Maria Madalena. Mas pode me chamar de Madah.
Ela estendeu a mão com um olhar penetrante e um sorriso gentil. Segurei sua mão, levando-a aos lábios, como se fosse um gesto automático.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma noite, uma vida