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Uma noite, uma vida romance Capítulo 22

GISELE NARRANDO:

Ele, sempre cavalheiro, abriu a porta para mim, o que atraiu ainda mais olhares. Ele cumprimentou os curiosos com um aceno antes de entrar no carro e começar a dirigir.

— Ela parece ser uma mulher muito boa — ele comentou, referindo-se à Dona Sueli.

— Ela é, sim. Sempre me ajuda muito. Fica acordada até tarde esperando o filho dela chegar do trabalho, então cuida do Rodriguinho para mim sem problemas — respondi.

Rodrigo assentiu, pensativo. Depois de um tempo, ele estendeu a mão.

— Me dá seu celular.

Eu hesitei por um segundo, mas entreguei o aparelho surrado. Ele digitou rapidamente enquanto dirigia e fez uma ligação para si mesmo, salvando o meu número.

— Agora você pode me ligar direto se precisar de qualquer coisa.

— Obrigada — respondi, ainda tentando processar tudo.

Ele parou o carro um pouco antes do bar, virando-se para me olhar de frente.

— Gisele, eu quero recuperar o tempo que perdi. Quero estar presente na vida do Rodriguinho, acompanhar tudo. E, a partir de hoje, eu vou assumir todas as despesas dele. Quero dar meu sobrenome a ele.

Engoli em seco, surpresa com a firmeza em sua voz.

— Rodrigo... só de você estar aqui, já sou grata.

— Eu quero fazer mais, Gisele. Quero que ele também passe tempo comigo. Quero que conheça meus pais. Nós podemos dividir a guarda.

Eu não esperava essa conversa tão cedo.

— Rodrigo... eu não quero dividir a guarda. Você pode ficar com ele de vez em quando, mas, pelo amor de Deus, não tire meu filho de mim.

— Tudo bem. Você já tem meu número. Vamos nos falando.

Eu dei um pequeno sorriso, tentando disfarçar o nervosismo.

— Claro, e obrigada pela carona.

Saí do carro, sentindo o olhar de Rodrigo em mim enquanto me afastava. "Sempre que precisar, pode me ligar." Aquelas palavras ecoavam na minha cabeça enquanto eu caminhava em direção ao bar. Respirei fundo, tentando me recompor, mas parecia que o ar não conseguia encher meus pulmões completamente. Rodrigo tinha um efeito sobre mim que eu não sabia como controlar.

Ele era lindo, sedutor, irresistível de tantas maneiras… Mas eu não podia esquecer que ele era o mesmo homem que me fez passar por tanta coisa. Ele mexia comigo, me fazia sentir um calor que me assustava. Precisava afastar esses pensamentos.

— Desculpa o atraso, Jéssica. Tive um imprevisto — eu disse assim que entrei no bar, tirando a bolsa do ombro e tentando agir como se nada tivesse acontecido.

— Oi, Gi, não se preocupa — respondeu Jéssica, gentil como sempre. — O Afonso saiu agora pouco para ir ao banco antes que fechasse, mas tá tudo sob controle.

Dei um pequeno sorriso, aliviada, e fui direto para o balcão, onde já tinha clientes esperando. Enquanto atendia, senti o celular no bolso da minha calça. Agora eu tinha o número de Rodrigo, e ele tinha o meu. A sensação de saber que podia procurá-lo a qualquer momento era estranha, quase reconfortante… e assustadora.

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