GISELE NARRANDO:
Eu me sentia exausta, como se o peso do mundo estivesse sobre meus ombros. Então, mandei uma mensagem no grupo do bar:
"Gente, me desculpem, mas não estou me sentindo muito bem hoje. Não vou conseguir ir trabalhar essa noite."
A resposta veio rápido, para minha sorte. Afonso, sempre tão compreensivo, foi o primeiro a responder.
"Melhoras, Gisa! Não se preocupe, o movimento tá tranquilo por aqui."
Em seguida, veio a mensagem de Jéssica, cheia de energia, como sempre:
"Relaxa, eu dou conta!"
Suspirei aliviada. Respirei fundo, sentindo um peso sair das minhas costas. Eu precisava daquela noite de folga mais do que imaginava.
Mais tarde, Dona Sueli apareceu na minha porta com um pote de carne assada com batatas. Ela sempre tinha um gesto de carinho pronto para mim. Agradeci, sorrindo, e ela me respondeu com aquele jeito carinhoso que me confortava.
— Come tudinho, viu, querida? Você precisa se cuidar.
Assenti e a observei sair. Depois, peguei Rodriguinho no colo e preparei o banho dele, na banheirinha de plástico que ele adorava. Coloquei algumas flores de camomila na água, rezando baixinho à Virgem Guadalupe para que ele dormisse cedo. Minha mente estava cansada, e eu precisava de um tempo de paz.
Parecia que ele sentiu o que eu estava pedindo. Depois de mamar, aninhado ao meu lado na cama, ele adormeceu. Eram sete da noite quando finalmente o vi dormir profundamente. Acariciei seu rostinho, que parecia tão em paz, tão alheio a tudo que estava me atormentando. Aquilo me dava um conforto temporário, mas eu sabia que precisava de mais.
Levantei da cama com cuidado para não acordá-lo, respirando fundo. Fui direto para o chuveiro, onde tomei um banho demorado, tentando afastar os pensamentos sobre Rodrigo. Mas era impossível. Cada gota que caía parecia reviver algum momento entre nós. Os sorrisos, os olhares, as conversas que pareciam tão reais.
Era tudo mentira? Tudo encenação?
— Ele estava fingindo, Gisele…— Concluí irritada, enquanto desligava o chuveiro.
Só de pensar nisso, meu estômago revirava.
Havia algo naquela mulher que me incomodava profundamente, mas não era só ciúme. Era algo mais... uma energia estranha, negativa. Eu não conseguia explicar ao certo, mas sabia que algo ali não estava certo.
E então, como se uma lâmpada acendesse na minha cabeça, um pensamento me ocorreu. Rodrigo parecia genuinamente acreditar que Rodriguinho era seu filho quando o reencontrei. Será que Micaela havia influenciado ele a mudar de ideia? Aquela cobra poderia estar manipulando ele por trás dos panos?
Tomei outro gole da minha bebida, tentando organizar meus pensamentos. Ou será que eu estava sendo paranoica? Talvez Rodrigo fosse simplesmente um duas-caras, e eu não queria admitir que tinha sido enganada direitinho.
Eu precisava saber até onde essa Micaela poderia influenciar Rodrigo.
E não era por ciúmes, não mais. Era por Rodriguinho. Eu precisava proteger meu filho de qualquer ameaça, inclusive aquela mulher. Ela podia ser a chave para entender até onde Rodrigo estava disposto a ir, e eu não ia ficar parada, esperando que eles fizessem o que quisessem com a vida do meu menino.
Gisele, você precisa estar um passo à frente... por ele.

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