RODRIGO NARRANDO:
Eu estava frustrado, para dizer o mínimo. Gisele estava me mantendo afastado de Rodriguinho, e cada vez que eu tentava entrar em contato, só encontrava silêncio. Ela não atendia minhas ligações, não respondia minhas mensagens. Isso estava me corroendo por dentro, me deixando louco.
O que mais eu poderia fazer?
Quando Micaela, sempre tão generosa, se ofereceu para falar com Gisele, achei que talvez ela pudesse ajudar. Mulher para mulher, talvez Gisele a ouvisse. Passei o endereço para Micaela, cheio de esperança. Eu não sabia o que esperar, mas torcia para que ela conseguisse trazer meu filho.
Quando o telefone tocou com uma chamada de vídeo, respirei aliviado por um momento, achando que seria uma boa notícia. Mas, ao ver Micaela do outro lado da tela, com a cara lavada de água e a voz tremendo, a raiva subiu pelo meu corpo.
— Gisele me maltratou, Rodrigo! Eu só queria ajudar, e ela jogou água suja em mim como se eu fosse... como se eu fosse lixo! — Micaela chorava, com a voz entrecortada, e aquilo me deixou ainda mais furioso.
Como Gisele podia fazer isso?
— Eu sinto muito, Micaela. Não devia ter te envolvido nisso... — eu disse, tentando acalmar a situação.
— Ela é uma selvagem! uma louca!
Micaela estava visivelmente abalada, e isso só aumentava minha irritação.
— Vai pra casa, toma um banho e descansa. Eu resolvo isso.
Ela concordou, ainda soluçando, e desligou.
Assim que a tela ficou preta, joguei o telefone no sofá com força. Andava de um lado para o outro no meu escritório, sentindo o sangue fervendo. Eu estava completamente frustrado. Gisele... ela tinha me enganado direitinho com aquele papel de boa moça. Como pude ser tão cego?
Afrouxei o nó da gravata com um puxão brusco e abri os primeiros botões da camisa, sentindo a respiração pesada. Precisava trabalhar, tinha coisas importantes para fazer, mas Gisele conseguiu destruir meu dia inteiro.
Saí antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, com o som dos meus passos ecoando pelos corredores. Entrei no carro e acelerei, sem me preocupar com as regras de trânsito. Dei socos no volante, cada batida ecoando o turbilhão de emoções dentro de mim. Nada mais importava naquele momento.
Quando finalmente cheguei à minha cobertura, fui direto para a garrafa de tequila e comecei a beber no gargalo. Gisele não fazia ideia de com quem estava se metendo, mas ela estava prestes a descobrir. Isso, eu tinha certeza.
O dia passou em um borrão de álcool e raiva. Liguei para ela várias vezes, mas, como sempre, fui ignorado. Nenhuma resposta. Nenhuma mensagem. Só aquele silêncio insuportável que me enlouquecia cada vez mais.
Já era madrugada quando eu percebi o quão longe tinha ido. Estava completamente bêbado, fora de mim. Não consegui me acalmar de nenhuma maneira. E então tomei a única decisão que fazia sentido naquele momento: eu iria até ela. Gisele tinha que me escutar, nem que fosse à força.
Peguei a garrafa de tequila e fui até o carro, dirigindo como um louco pelas ruas. O álcool me embalava, a raiva me guiava. Ela ia escutar tudo o que eu tinha para dizer.
Eu não sei em que momento minha vida se transformou nessa bagunça, mas a única certeza que eu tinha naquele momento era que Gisele estava me tirando do sério. O carro parou com um solavanco em frente ao cortiço. Saí cambaleando um pouco, tentando manter a compostura, mas a tequila estava começando a fazer efeito. Cada degrau que eu subia parecia uma luta contra a gravidade, mas eu tinha um objetivo claro: ver meu filho. Rodriguinho era meu, e Gisele não ia me impedir de ser o pai que eu precisava ser.

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