MARIA EDUARDA NARRANDO:
A luz dourada do sol de Malibu refletia nas ondas enquanto eu caminhava pela praia, após o meu treino de beach tênis, peguei minha câmera capturando cada detalhe da minha conexão com a natureza. O som das ondas quebrando, o vento suave nos meus cabelos presos em um rabo de cavalo e a areia sob meus pés eram a combinação perfeita para o curta que eu estava filmando. Essa era minha paixão – capturar momentos autênticos, simples, mas carregados de significado.
Minha vida em Los Angeles era um sonho que se tornava realidade a cada dia. Tinha me formado recentemente em cinema pela Universidade de Hollywood e, com apenas vinte e dois anos, eu já morava sozinha em um apartamento confortável que meus pais tinham comprado para mim no centro da cidade. Eu estava exatamente onde sempre quis estar, cercada de amigos e trabalhando em meus próprios projetos criativos. Tudo parecia se encaixar... até eu receber a ligação da minha mãe.
Ela nunca ligava sem motivo. E quando ligava, eu sabia que era melhor atender.
— Olá, Mami!
— O que está fazendo, chica?
— Acabei de terminar meu treino de beach tennis na praia. Estou gravando aqui em Malibu essa semana.
— Entendi…— ela faz uma pausa, respirando fundo, — Eu quero que você volte para o México hoje mesmo.
Minha mãe disse, com aquele tom que não aceitava discussões.
— Mas por quê? Aconteceu alguma coisa?
—Aconteceu.. Seu irmão teve um filho há sei lá quantos meses e não me contou nada. Então, antes que eu mate seu irmão, venha se despedir dele.
— Não acredito que ele fez isso…Eu vou pegar o primeiro voo para o México, Mami. Te aviso quando estiver chegando.
—Ótimo…Vou enviar o motorista para te buscar, pois tenho que resolver algumas coisas das entregas de tequila na empresa.
— Ok, Mami, te amo. E não faça nada com o bastardo até eu chegar. Deixa que eu cuido dele. Te aviso quando eu estiver pousando
— Então venha logo. Te amo, chica. Cuida-te.
Ela não insistiu, mas eu sabia que, se não fosse por conta própria, ela mandaria alguém me buscar. Isso era minha mãe.
Sorri. Minha mãe sempre tinha um jeito doce e protetor.
Enquanto o avião decolava, tomei mais algumas doses de champanhe e mandei mensagens para alguns amigos. Ninguém sabia ao certo por quanto tempo eu ficaria no México, mas a verdade é que eu também não tinha a mínima ideia. Quando finalmente colocamos os pés no ar, coloquei meus fones de ouvido, ajeitei meu assento e tentei descansar. Sabia que precisaria de toda a energia possível para encarar o que me esperava.
Rodrigo, sempre tão reservado e misterioso, escondendo algo tão importante assim... Eu não sabia se estava mais curiosa ou irritada com ele. Como ele pôde não contar sobre algo tão sério? Eu sabia dos altos e baixos com a Micaela, mas esconder um filho da família? Isso não era típico do meu irmão.
Fechei os olhos, tentando me preparar para o que quer que estivesse por vir.
Foram seis horas de voo, e eu já sentia aquela familiaridade de estar quase em casa quando olhei pela janela ao meu lado. O sol estava começando a surgir no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados. O México tinha esse poder, até o nascer do sol parecia mais intenso, mais vivo. Peguei meu celular para gravar o momento e logo enviei uma mensagem para minha mãe, avisando que estávamos quase pousando.
Ela respondeu imediatamente, como se estivesse esperando.
"Bom dia, chica! Vou avisar ao Piva para esperar por você no aeroporto."
Sorri ao ler sua mensagem. Minha mãe sempre foi assim: atenta a cada detalhe, não deixava nada passar. Guardei o celular e comecei a ajeitar minhas coisas, jogando meu casaco por cima dos ombros, checando minha bolsa e, claro, certificando-me de que minha mala de mão, com meus preciosos equipamentos, estava segura.

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