MARIA EDUARDA NARRANDO:
— Que? Sequestrar o quê, Rodrigo? Que merda você tá dizendo? — Fiquei confusa, tentando acompanhar o raciocínio dele.
— A Gisele... ela não quer deixar eu ver meu filho. Vamos lá buscar ele agora! Ela não pode fazer isso. — Rodrigo começou a ficar nervoso, levantando a voz.
— Gisele? Quem é Gisele? A mãe do menino? — perguntei, tentando entender a situação.
— Sim... do Rodriguinho. Ele é lindo, Duda, tem os meus olhos. — Ele sorriu, com um brilho de orgulho nos olhos, por um segundo parecendo sóbrio.
— Seu bastardo, como você esconde uma criança da gente? — Eu estava irritada.
Como ele tinha coragem de guardar uma coisa dessas?
— Eu também não sabia, Duda... Ele apareceu no meu pé do nada... Eu me apeguei a ele. Mas agora a mãe dele quer me impedir de vê-lo. Ela não me conhece, não sabe do que sou capaz. — Ele resmungou, com a frustração transparecendo em cada palavra.
— O que você fez para ela não querer você perto do menino? Que história louca é essa? Não faz sentido — Perguntei, cada vez mais perdida.
— Foi por causa do teste de DNA… eu fiz escondido. Agora ela tá puta… falei um monte pra ela. Eu tenho direito de ser pai do meu filho — Rodrigo balançou a cabeça, claramente arrependido, mas ainda incapaz de se controlar.
— Eu não estou acreditando no que estou ouvindo. — Suspirei, sem saber se ria da estupidez dele ou se dava um tapa na sua cara.
— Vai buscar ele pra mim, Duda… eu quero o meu filho. — Ele começou a chorar, encostando a cabeça no meu ombro, completamente quebrado.
— Ah, merda... tá bom. Onde ela mora? — Perguntei, sabendo que essa confusão estava longe de terminar.
— Em um cortiço horrível… meu filho mora longe de mim, Duda. — Ele soluçou.
— Você precisa de um banho, vem. — Eu o puxei com força, tentando ajudá-lo a levantar. Mas ele era pesado demais.
— Você vai buscar o Rodriguinho mesmo, Duda? Fala pra Gisele que ela não pode me deixar longe dele. — Ele se apoiou em mim, praticamente jogando todo o seu peso nos meus ombros.
— Eu vou falar, mas agora me ajuda a te ajudar a ir pro banheiro. — Resmunguei, guiando-o até o elevador que dava para o segundo andar da cobertura.
Rodrigo reclamava e resmungava sobre Gisele e Rodriguinho sem parar. Chamava Gisele de cruel, de mulher sem coração. Subimos até a suíte, e ele continuava a falar, como se estivesse preso em um ciclo de lamentações. Quando finalmente chegamos ao banheiro, comecei a ajudá-lo a tirar a roupa.


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