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Uma noite, uma vida romance Capítulo 53

MARIA EDUARDA NARRANDO:

Depois de fechar as cortinas e verificar se Rodrigo estava realmente adormecido, caminhei silenciosamente até a porta, fechando-a com cuidado. Peguei as chaves da Mercedes dele que estavam em cima da mesa na sala, olhando em volta como se esperasse que alguém fosse me interromper. Rodrigo está apagado, pensei. Ele não vai se importar se eu usar o carro dele só um pouquinho.

Saí do apartamento, trancando a porta atrás de mim, e desci pelo elevador até a garagem. Assim que avistei uma Mercedes conversível prata com bancos azuis, não tive dúvida de que era a dele. Apertei o botão do alarme só para confirmar, e o som agudo reverberou na garagem.

Sorri. Ah, Rodrigo, sempre tão previsível.

Entrei no carro e joguei minha bolsa no banco do passageiro. Olhei pelo retrovisor e vi a cadeirinha de bebê no banco de trás. Meu coração aqueceu. Um sobrinho… eu realmente tinha um sobrinho. Era surreal. Liguei o carro e, enquanto o motor roncava, sintonizei o rádio em uma música animada para me distrair. Digitei o endereço que havia pegado do celular de Rodrigo no GPS e comecei a dirigir. Era uma história muito mal contada, e eu estava determinada a descobrir por que essa tal de Gisele estava afastando meu irmão do filho.

À medida que eu me aproximava do destino, as ruas ficaram mais estreitas, e o ambiente começou a mudar. A Mercedes se destacava como um peixe fora d'água naquela comunidade. Quando estacionei, olhei ao redor e vi alguns homens de aparência suspeita encostados nas paredes, observando tudo com olhos atentos. A comunidade era pobre e afastada, claramente dominada por facções. Respirei fundo e saí do carro.

Caminhei pelos corredores estreitos e mofados do cortiço, passando por roupas penduradas nas janelas e ouvindo o burburinho de vozes e crianças brincando. O cheiro de comida caseira estava no ar, o que, de certa forma, trazia um pouco de familiaridade ao ambiente. Continuei até a escada, verificando a mensagem no celular para ter certeza do número do apartamento.

Segundo andar.

Subi, passando por portas semiabertas que revelavam a vida modesta das pessoas. Crianças corriam pelos corredores, e senhoras observavam de suas portas com olhos curiosos. Finalmente, cheguei ao número indicado. O som de música infantil podia ser ouvido do outro lado. Bati algumas vezes na porta, pensando no que dizer.

A porta se abriu, revelando uma moça mais jovem do que eu imaginava. Seus cabelos estavam presos em um coque bagunçado, e ela vestia uma camiseta larga, com os pés descalços. O cansaço estava evidente em seus olhos verdes escuros, como se a vida tivesse lhe tirado muito mais do que dado.

— Hola, você é a Gisele? — perguntei, tentando ser educada.

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