GISELE NARRANDO:
Não consegui dormir mais, e fiquei com uma dor de cabeça terrível, resultado da manhã em claro depois do escândalo que Rodrigo fez. Eu ainda estava tentando processar tudo quando recebi uma carta. Era um comunicado extrajudicial, assim como todos os meus vizinhos, informando que a villa tinha sido vendida para uma construtora e que tínhamos uma semana para sair. Uma semana! Era absurdo, eu sempre paguei os seis mil pesos de aluguel certinho. Senti uma indignação tomar conta de mim, mas antes mesmo de eu conseguir lidar com essa bomba, outra surpresa bateu à minha porta.
No começo, eu não queria abrir. Tinha medo de ser mais uma má notícia. Mas, para minha surpresa, quem estava lá era Duda, a irmã de Rodrigo. Ela era uma morena de cabelos longos, com tatuagens pelos braços, delineador marcante, usando um cropped preto, calça legging e uma bota.
Já sem forças para mais um confronto, tentei mandá-la embora, mas ela insistiu para entrar, dizendo que tinha viajado horas e que a mãe deles sabia sobre o neto. Isso só piorava a situação.
— Tudo bem, pode entrar — eu disse, abrindo espaço para ela passar.
— Gracias, Gisele — Duda respondeu com um sorriso.
Assim que entrou, os olhos dela caíram em Rodriguinho, que estava sentado no chão, brincando com seus brinquedos, apenas de fralda. Ela olhou para ele com uma expressão gentil, o que me pegou de surpresa.
— Esse é o Rodriguinho — eu disse, observando sua reação.
— Mas que lindo esse príncipe! Posso pegá-lo? — Duda perguntou, com um sorriso doce.
Eu hesitei por um segundo, mas não vi maldade nos olhos dela.
— Pode sim.
Ela o pegou no colo com tanto carinho que me desarmou.
— Você é muito mais bonito que seu papai — Duda comentou, fazendo carinho nele, enquanto Rodriguinho dava risadinhas.
Ela começou a brincar com ele, cobrindo seus olhos e dizendo "achou!". O som da risada de Rodriguinho ecoava pela sala, e mesmo com todo o caos ao redor, aquilo me fez sorrir.
— Acho que ele gostou de você — comentei.
— Ah, mas ele vai me amar. Quero ser a tia favorita desse gatinho — Duda respondeu, rindo e beijando a barriguinha dele.
Eu a observei em silêncio. Ela parecia tão natural com Rodriguinho. Duda, então, perguntou se poderia tirar uma foto dele para mostrar à mãe. Eu hesitei, sentindo um medo crescer dentro de mim, temendo que tentassem tirar o meu filho, mas acabei cedendo.
— Pode tirar, mas o Rodrigo já tem fotos dele — expliquei.
— Aquele cretino não enviou nada para mim nem para a nossa mãe. Estamos furiosas com ele por esconder o Rodriguinho — Duda disse, tirando algumas fotos dele.
— Ele não escondeu de vocês. O Rodrigo também não sabia que tínhamos um filho, é um pouco complicado — expliquei.
— Há quanto tempo ele sabe? — Duda perguntou.
— Acho que faz umas três semanas — respondi, tentando puxar na memória.
— Três semanas… Já era tempo suficiente para contar à nossa mãe — ela disse, com um toque de frustração na voz.
Eu sentia uma pontada de receio. O que a família de Rodrigo poderia fazer com essas fotos? Duda, parecendo adivinhar meus pensamentos, sorriu para mim depois de enviar as fotos.
— Não se preocupe, Gisele. Só mandei para a minha mãe porque ela está ansiosa para conhecer o neto. Não vamos te fazer mal.

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