GISELE NARRANDO:
Quando terminei de arrumar tudo, ajeitei a bolsa do Rodriguinho e me preparei para mais um dia de trabalho, com a mente um pouco mais tranquila, mas ainda cheia de incertezas sobre o que estava por vir.
Caminhamos juntas pelo corredor apertado da villa até a casa de Dona Sueli. Eu segurava Rodriguinho no colo, e Duda seguia ao meu lado, com seu jeito despojado e um sorriso que parecia sempre pronto. Quando chegamos à porta, bati levemente. Dona Sueli, abriu a porta com uma expressão cansada.
Ela estava cercada por caixas, visivelmente chateada.
— Dona Sueli, tudo bem? — perguntei, olhando ao redor e vendo suas coisas sendo guardadas.
— Oi, Gisele... Bem, do jeito que dá, né? Estou de mudança, como todo mundo aqui... — ela respondeu, com um suspiro.
— Mudança? — Duda interrompeu, surpresa. — Vocês estão se mudando?
— A villa toda foi vendida para uma construtora, menina — explicou Dona Sueli, ainda mexendo nas caixas. — Todos nós fomos despejados. Só temos uma semana para sair daqui.
— Como assim? — Duda olhou para mim, perplexa. — Gisele, você sabia disso?
— Sabia, sim — respondi, tentando manter a calma. — Mas eu vou dar um jeito. Não se preocupe.
Apresento Duda a Dona Sueli como a tia de Rodriguinho, e a senhora sorriu gentilmente.
— Tia? Que bom... E o seu irmão, está bem? Ele causou uma confusão essa madrugada aqui…
— Ele dormiu — Duda respondeu, forçando um sorriso. — Acho que está melhor agora.
— Ele estava fora de si — Dona Sueli disse, balançando a cabeça. — Precisa tomar cuidado com a bebida, sério.
— A senhora tem razão. Vou falar com ele, Dona Sueli — Duda se adiantou, firme, mas com uma doçura no tom. — Pode deixar comigo.
Dona Sueli assentiu e nos deu passagem. Antes de sair, segurei firme Rodriguinho nos braços e sussurrei uma prece para a Virgem de Guadalupe. Minha mãe fazia isso quando eu era pequena, e agora eu fazia pelo meu filho. Coloquei a mãozinha dele na minha e rezei baixinho:
— Virgem de Guadalupe, protege meu filho, guia seus passos e guarda seu coração. Amém.
Beijei a testa dele e o coloquei delicadamente no chão. Ele deu uma risadinha, e eu sorri de volta, tentando aliviar o peso no meu peito. Desci as escadas com Duda, e assim que saímos da villa, avistei o carro de Rodrigo estacionado em frente.
— Vamos! — Duda disse animada, indo direto para o banco do motorista. — Peguei o carro emprestado do Rodrigo.
— Você não perde tempo, hein? — sorri, entrando no banco do passageiro.


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