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Uma noite, uma vida romance Capítulo 56

GISELE NARRANDO:

Eu dei a volta no balcão, guardei minha bolsa e coloquei o avental, pronta para mais uma noite de trabalho. O bar começou a ficar mais cheio com a chegada dos universitários. O DJ já estava montando seu equipamento no canto, e a música começou a aumentar. Jéssica já estava preparando um drink para um cliente, enquanto eu pegava uma coqueteleira e me adiantei, preparando uma Piña Colada para Duda.

— Aqui está, especial da casa — coloquei o drink na frente dela com um sorriso.

— Uau! Isso parece maravilhoso, Gisele! — Duda agradeceu e tomou um gole, sorrindo em aprovação. — Perfeito!

O movimento aumentava cada vez mais, e entre preparar drinks e servir os clientes, eu e Duda íamos conversando entre pausas. Ela, sempre sentada no balcão, alternava drinks com água, mantendo uma conversa leve e descontraída, mas em certo momento, ela me perguntou:

— Como foi que você conheceu o Rodrigo? Desculpa, mas estou muito curiosa

Soltei uma risada, relembrando a história.

— Foi uma coisa bem improvável, na verdade… Eu trabalhava no bar de um resort em Cancún, quando o Rodrigo apareceu lá. Ele estava com a atual namorada dele que, na época, era casada.

— Isso não me surpreende nem um pouco — Duda respondeu, balançando a cabeça e sorrindo. — Meu irmão sempre se envolve com mulheres casadas. Até fiquei surpresa por você ser nova e solteira.

— Eu não fazia ideia desse... fetiche dele — ri, meio sem graça.

— Ele tem essa coisa de não gostar de mulher pegajosa, sabe? Prefere as comprometidas porque não o procuram depois.

— Olha Duda, até que faz sentido agora que você falou — comentei, enquanto cortava algumas frutas no balcão. — Mas naquela época eu só sabia que ele era um cliente, e ela... a mulher, Micaela, o marido dela quase flagrou os dois no bar naquele dia.

— Sério? — Duda arregalou os olhos. — Eu conheço a Micaela, mas nunca soube quem era o marido dela.

— Foi uma confusão enorme! — continuei, rindo enquanto misturava outro drink. — Chovia muito naquele dia por conta de um furacão, e eu lembro que precisei ajudar a esconder o Rodrigo atrás do balcão. O marido dela entrou furioso, quase que pega eles juntos, fazendo o maior escândalo.

— Meu Deus, que cena! E aí? O que aconteceu? — Duda estava completamente envolvida na história.

— A coisa ficou mais intensa. O furacão estava se aproximando, e acabamos nos escondendo em um bunker. Só nós dois... — minha voz abaixou um pouco, relembrando o momento.

Duda inclinou-se para frente, curiosa, com seus olhos brilhando.

— E aí? Foi quando vocês...?

— Foi a maior loucura da minha vida — confessei, rindo de nervoso. — Me entreguei a um completo desconhecido, ali no bunker, em meio à tempestade.

Duda abriu a boca, surpresa, e soltou uma risada.

— Olha, eu não te julgo. Hoje mesmo eu vi um desconhecido quando cheguei no aeroporto e fiquei louca para levar ele pra minha cama — ela comentou com um sorriso malicioso.

— Você é sem filtro mesmo, hein? — sorri de volta.

Duda me fazia sentir à vontade.

— Só que agora eu descobri sobre esse teste de DNA que ele fez escondido de mim... Fiquei tão decepcionada, Duda. Não consigo entender por que ele faria isso pelas minhas costas.

Duda balançou a cabeça, com um olhar de compreensão.

— Ele é um besta mesmo. Às vezes se perde nas próprias inseguranças. Mas, e você? Como você está com isso tudo?

— O pior de tudo, Duda... — engoli em seco, sentindo o peso de tudo voltar à tona. — É que eu passei a gravidez toda sozinha. Sofri tanto, principalmente no parto, que foram horas até o Rodriguinho nascer. Eu precisava tanto dele e não tive. E agora, depois de tudo isso, ele ainda age pelas minhas costas com o nosso filho.

Duda ficou em silêncio por alguns segundos, com os olhos marejados. Ela segurou minha mão com firmeza e disse:

— Eu nem imagino o que você passou, Gisa. Sério. Mas, olha, você não está mais sozinha. Não mesmo.

Sorri para ela, sentindo um aperto no coração, mas também uma sensação de alívio por finalmente desabafar.

— Obrigada, Duda. De verdade. Significa muito pra mim.

Duda me deu um sorriso cheio de carinho.

— Agora relaxa, vamos aproveitar a noite. Eu vou ficar por aqui até o final do seu turno, tá?

— Tá bom — respondi, rindo. — Mas só se você não beber tanto!

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