GISELE NARRANDO:
A noite foi avançando, e eu continuei a trabalhar, indo de um lado para o outro enquanto Duda permanecia sentada no balcão, intercalando drinks com água, como prometido. Conversávamos entre as pausas, e o movimento no bar estava a todo vapor, com o DJ tocando músicas que animavam a galera.
Quando meu turno finalmente acabou, Duda se levantou, um pouco cambaleante.
— Vamos, eu te dou uma carona — Ela disse, sorrindo animada.
Fiquei um pouco preocupada, principalmente porque ela tinha bebido mais do que eu esperava.
— Tem certeza que está bem pra dirigir? — perguntei, franzindo o cenho.
— Ah, Gisa, relaxa! Eu dirijo desde os doze anos — respondeu, rindo. — Meu pai que me ensinou, sabia?
— Tá, mas... eu tenho um filho pra criar, então por favor, vai devagar! — brinquei, mas no fundo estava séria.
— Pode deixar, eu sou uma excelente motorista — ela respondeu com uma piscadela, me puxando para fora do bar.
O caminho até a villa foi tranquilo, apesar da minha preocupação. Duda, era fiel à palavra, dirigiu com calma enquanto conversávamos sobre coisas leves, rindo e brincando o caminho todo. Quando finalmente chegamos, ela estacionou na frente da villa.
— Valeu pela carona, Duda. E por me ouvir hoje, foi importante.
— Que isso, Gisa! Eu adorei passar a noite com você. Amanhã te busco pra gente almoçar lá em casa, fechado?
— Fechado — confirmei, sorrindo. — Vou estar esperando.
Troquei nossos números de telefone e nos despedimos com um abraço rápido. Enquanto ela partia, senti uma onda de gratidão. Não era fácil encontrar alguém tão disposta a ouvir e oferecer apoio como Duda tinha sido.
Agradeci mais uma vez, pegando Rodriguinho com cuidado nos braços. Ele mal se mexeu, só resmungou algo ininteligível e se aconchegou mais no meu colo, ainda dormindo profundamente. Era impressionante como ele conseguia dormir em qualquer lugar.
Saímos da casa da Dona Sueli, e eu caminhei lentamente de volta para a nossa casa, com Rodriguinho nos braços. Ele estava tão quentinho e leve, mesmo cansada, eu sentia uma paz enorme por tê-lo comigo.
Ao chegar, coloquei-o delicadamente na cama, ajeitando o travesseiro e cobrindo-o com o lençol. Ele nem se mexeu. O cansaço era evidente em cada detalhe da sua expressão, e o sono profundo o embalava. Por um momento, fiquei ali ao lado dele, observando seu rostinho sereno. Ele era a coisa mais importante da minha vida, e por ele, eu enfrentaria qualquer batalha.
Suspirei, exausta, mas também aliviada. Apaguei a luz do quarto, deixando apenas um abajur suave aceso, e fui para o banheiro. Meu corpo parecia pesar uma tonelada, cada músculo doía de um jeito, mas saber que Rodriguinho estava seguro e descansando me dava paz.
Troquei de roupa rapidamente e depois me joguei na cama. Eu mal havia fechado os olhos, e o cansaço tomou conta de mim de uma vez só. Estava exausta, mas o pensamento de que tudo estava, pelo menos por enquanto, sob controle, me trouxe a tranquilidade que eu precisava para finalmente descansar.
Fechei os olhos e deixei o sono me levar.

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