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Uma noite, uma vida romance Capítulo 59

RODRIGO NARRANDO:

Continuei caminhando, meus passos ecoando pelo corredor largo e silencioso. O cheiro de café fresco e torradas invadiu meus sentidos, e ao me aproximar da sala de jantar, encontrei Duda, minha irmã, sentada à mesa com o cabelo bagunçado e o rosto marcado de sono.

— Cadê a chave do meu carro, sua ladra? — perguntei, parando de frente para ela, que devorava seu café da manhã com uma fome visível.

— Está aqui, seu chato — ela disse, jogando as chaves em minha direção sem nem olhar para mim.

Peguei-as no ar.

— Nunca mais use meu carro de novo sem minha permissão — falei com irritação, embora já soubesse que ela não ligava para minhas reclamações.

— Ah, deixa de ser chato… É melhor você ir logo para o escritório, papai e mamãe estão te esperando. E só pra avisar... você tá ferrado. — Ela se levantou da mesa com um sorriso malicioso, pegando um pedaço de pão com Nutella antes de se encaminhar para a escada.

— Dedo duro... pra onde você vai? Não foge não. — Tentei soar autoritário, mas Duda apenas riu.

— Tenho que me arrumar, vou buscar a Gisele e o Rodriguinho. Agora vai lá explicar as merdas que você anda fazendo… bastardo — provocou, subindo as escadas com aquele sorriso irritante que só ela conseguia dar.

Suspirei, guardando as chaves no bolso. O peso das palavras dela ainda ecoava na minha mente enquanto caminhava até o escritório. Bater de frente com meus pais nunca foi fácil, e eu sabia que estava prestes a encarar uma situação delicada.

Abri a porta de madeira pesada do escritório e, como esperado, meu pai estava sentado em sua imponente cadeira de couro, tomando um chá calmamente. Minha mãe, por outro lado, estava em pé, fumando um cigarro com uma expressão de impaciência e nervosismo. O ambiente era tenso.

— Buenos días, família — tentei quebrar o gelo com meu melhor sorriso, mas logo percebi que isso não funcionaria.

— Finalmente decidiu aparecer, Rodrigo... Já que não atende minhas ligações nem as do seu pai. Pelo visto, não somos nada para você, pois até sobre meu neto tive que ficar sabendo pela Vittoria! — Minha mãe disparou, apagando o cigarro no cinzeiro com força.

— Mãe, eu posso explicar... — tentei falar calmamente.

— Ah, mas você vai explicar direitinho, Rodrigo, porque a Duda já me contou a versão da Gisele, e estou chocada com tudo que ouvi. Esse não é o homem que eu criei! — Sua voz estava carregada de decepção e raiva.

— Rodrigo, sente-se — meu pai finalmente falou, com aquela voz grave e autoritária que sempre fazia minha espinha arrepiar. — Explique por que não nos contou sobre seu filho.

Sentei-me na poltrona em frente a eles, sentindo o peso do julgamento. Minha mãe acendeu outro cigarro, batendo o pé com impaciência.

Baixei a cabeça por um momento, sabendo que aquilo não seria fácil de justificar.

— Sim, pai. Eu devia ter avisado a Gisele, mas não fiz.

— Isso não é certo, Rodrigo. A palavra de um Corleone vale mais que qualquer documento. Ainda mais com a mãe do seu filho. Ela é da família. — Meu pai disse com uma calma que me fez sentir ainda pior.

— Eu sei, pai. Errei.

— Duda conseguiu conversar com essa moça. Ela é muito esforçada e passou por muita coisa. Não queremos que ela nos afaste do Rodriguinho por infantilidade sua — minha mãe acrescentou seriamente.

— Também não quero ficar longe do meu filho. Vou conversar com ela — Eu disse, decidido.

— Faça isso, mas antes eu quero falar com ela — minha mãe afirmou, me deixando claro que o assunto ainda não estava resolvido.

Respirei fundo, sentindo o peso da responsabilidade, precisava consertar as coisas com Gisele!

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