GISELE NARRANDO:
Entramos na casa e logo fui recebida por um ambiente de puro luxo. O chão de mármore brilhava, as paredes eram claras com detalhes dourados, e um enorme piano dominava o espaço. Nas paredes, quadros de um casal mais velho. E então, meus olhos cruzaram com os de Rodrigo.
Ele estava em pé, conversando com um senhor que se virou assim que nos aproximamos. O homem era a cópia de Rodrigo, alto, bem vestido, com um terno preto listrado, cabelos grisalhos penteados impecavelmente e uma barba desenhada. Segurava um copo de uísque na mão. E então, Duda caminhou até uma mulher alta, magra, com tatuagens que cobriam seus braços e mãos, usando um vestido longo preto elegante.
Quando a mulher viu Rodriguinho, seus olhos brilharam de emoção.
— Mas ele é tão lindo... uma cópia do Rodrigo quando pequeno — disse ela, tocando o rosto de Rodriguinho, que abriu os bracinhos, se oferecendo para ir no colo dela.
— Olha como ele é bonzinho, mami — Duda comentou orgulhosa, enquanto eu, com o rosto queimando, agradeci silenciosamente por ela estar segurando meu filho.
Ao ver a Mulher segurar o Rodriguinho tão apertado no colo, uma pontada de nervosismo me percorre o corpo. Instintivamente, apertei minha bolsa mais forte contra mim, percebendo que ela deve ser a mãe de Rodrigo — e, para minha surpresa, parecia mais jovem do que eu esperava.
Duda, com seu jeito sempre acolhedor, me puxa pelo braço, me trazendo para o centro da sala. Todos os olhares, que antes estavam no meu filho, agora se voltam para mim.
— Mami, papi… essa é a Gisele, mãe do Rodriguinho — ela diz, com um sorriso amigável.
— Hola — murmurei, quase sem voz, enquanto tento sorrir para todos.
Meu coração batia acelerado.
— Seja bem-vinda à nossa casa, Gisele. Sou Raphael, o pai de Rodrigo — diz o homem mais velho, com um tom firme e ao mesmo tempo receptivo. Seus olhos castanhos, profundos como os de Rodrigo, me analisam com uma curiosidade velada.
— Muito prazer Sr. Raphael
Aperto sua mão, tentando não demonstrar o quão nervosa estou. Em seguida, a mulher se aproxima.
— Pode me chamar de Madah, sou a mãe do Rodrigo. Muito prazer, Gisele, e obrigada por trazer o Rodriguinho para nos conhecermos — ela diz com um sorriso gentil, ainda segurando meu filho no colo, como se ele já fosse parte da família há tempos.
— Imagina, eu que agradeço o convite — respondo, tentando ajeitar meu cabelo atrás da orelha, um pouco desconcertada.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Duda, sempre atenta, já está pegando as minhas bolsas.
— Deixa eu colocar isso em algum lugar, para você ficar mais à vontade, Gisa. Quer beber alguma coisa? — ela pergunta com aquele sorriso que sempre me coloca à vontade.
— Uma água gelada, por favor — digo, sentindo o alívio de poder respirar um pouco, enquanto observo a governanta levando as bolsas para uma das inúmeras poltronas na sala e pedindo para uma empregada que logo traz uma garrafa lacrada com água pra mim.
Rodrigo estava quieto, mas seus olhos não saíam de mim. Ele parecia observar cada movimento, cada palavra que eu trocava com seus pais. O olhar dele me deixava nervosa, como se eu estivesse sendo avaliada o tempo todo.
— Ele está tão cheiroso! Quantos meses ele tem, Gisele? — Madah pergunta, enquanto balança suavemente Rodriguinho no colo.
— Vai fazer oito meses na próxima semana — respondo, sorrindo timidamente, ainda me acostumando com a presença dessa família que, até então, era apenas uma parte distante da vida de Rodrigo.

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