GISELE NARRANDO:
Madah me olhou com uma expressão de compreensão profunda e, para minha surpresa, se aproximou, tocando meu rosto gentilmente.
— Gisele, eu te dou minha palavra que jamais vamos afastar o Rodriguinho de você. Você é a mãe dele. Você já faz parte dessa família, e quero que se sinta como uma filha para mim, entendeu? — Ela disse, e pela primeira vez em muito tempo, senti uma ternura genuína, que quase me fez chorar.
Minhas defesas começaram a desmoronar, mas ainda havia uma parte de mim que precisava lutar pela minha dignidade.
— Obrigada, Madah, essa é a única coisa que eu peço. Não preciso do dinheiro de vocês, eu não quero pensão nem nada — falei, com o orgulho que ainda me restava. — Sempre trabalhei e não vou ficar às custas de vocês, prometo.
Ela me olhou com um sorriso terno, cheio de empatia.
— Querida, você é muito forte. Mas o Rodriguinho, como nosso herdeiro, tem seus direitos, assim como você também tem os seus. Já sei que a Duda lhe disse que não está sozinha, e você não está.
O nome de Duda trouxe à tona a vergonha que eu tentava esconder.
— A Duda te contou tudo, inclusive como eu engravidei? — perguntei, com o rosto queimando de vergonha.
Madah assentiu, sem desviar o olhar.
— Sim, mas não se preocupe com isso, Gisele. Eu também já fui jovem, e nas loucuras que fiz na vida, engravidei do Rodrigo — contou ela, com um sorriso leve. — A diferença é que tanto a minha família quanto a do Raphael nos apoiaram desde o começo, então eu entendo você.
Suas palavras me atingiram de forma inesperada. Ela não me julgava, pelo contrário, parecia entender as decisões difíceis que tive de tomar.
— Eu nunca vou me esquecer desse acolhimento de vocês. Obrigada — agradeci, me levantando ao lado dela.
— Oh, querida, não precisa nos agradecer. Mas me diz, quando podemos buscar suas coisas? Hoje ou amanhã? — perguntou ela, com a mesma gentileza, mas um tom prático.
Eu olhei para o relógio. Ainda tinha meu turno no bar. Precisava continuar trabalhando, por mais que a oferta dela de me ajudar fosse tentadora.
— Bom, eu tenho que ir trabalhar hoje. Então, amanhã começo a arrumar tudo, pode ser? — sugeri, tentando manter minha rotina.
— Claro! A Duda e a Rita, nossa governanta, podem ajudar você a organizar tudo — disse Madah, sorrindo.
— Oh, não precisa — tentei recusar, ainda envergonhada.
— Querida, não se preocupe! — respondeu, insistindo. — Hoje você se importa de deixar o Rodriguinho aqui conosco? Estamos tão ansiosos para ficar com ele um pouco.
Olhei pela porta de vidro e vi meu filho brincando com Rodrigo no chão. Raphael sorria e Duda fazia caretas, gravando cada momento, enquanto Rodriguinho gargalhava. Por mais que meu coração gritasse para ser cautelosa, havia algo naquela cena que me fazia querer confiar em todos eles.
— Ah… tudo bem. Ele pode ficar aqui hoje — aceitei, com um nó de receio no fundo.
— Ah, querida, obrigada! — disse Madah, me abraçando com um carinho inesperado.
Ao olhar para o relógio novamente, percebi que já estava na hora de ir trabalhar.
— Eu preciso ir agora... — falei, um pouco sem jeito.
— Nossa, a hora passou voando! Vou pedir ao Rodrigo para te levar. Assim vocês podem conversar um pouco sozinhos, pode ser? — sugeriu ela, com um sorriso cúmplice.
Eu assenti, tentando não pensar demais.
— Pode sim.
E assim, segui Madah, sentindo um misto de alívio e tensão.
Madah voltou para a sala com um sorriso largo no rosto, sua alegria quase contagiante. Ela anunciou para todos:
— Tenho ótimas notícias, a Gisele deixou o Rodriguinho ficar aqui hoje! — Sua voz enchia o ambiente de um calor acolhedor.
Duda imediatamente pulou da poltrona, animada.
— Ebaaa! Esse gatão vai dormir com a titia! — Ela sorriu, cheia de energia.

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