GISELE NARRANDO:
Logo que começamos a entrar na área das mansões, algo chamou minha atenção. Homens armados estavam posicionados ao longo da entrada, discretos, mas inegavelmente presentes. Franzi o cenho, sentindo um leve desconforto.
— Duda, por que tantos homens armados ao redor da casa dos seus pais? — Perguntei, tentando disfarçar a preocupação, mas não pude evitar.
Duda fez uma pausa, provavelmente já esperando essa pergunta.
— Bom, isso é para proteção, Gisa... — Ela respondeu calmamente enquanto estacionava o carro.
— Proteção de quê? — Questionei, olhando para ela com curiosidade.
Era algo que não fazia parte da minha realidade.
Duda parou por um segundo, parecendo ponderar sobre o que dizer.
— Ah, eles têm muitos negócios, como... uma transportadora com frotas de caminhões, e uma fábrica de bebidas. Mais precisamente, tequila. É do meu avô, El Toro, e minha mãe toma conta de toda a empresa.
— El Toro? — Eu me endireitei no banco, surpresa. — Essa tequila é a número um de todo o México! Sempre servimos muito nos bares onde trabalhei. — Nunca imaginei que a bebida que eu servia no resort era fabricada pela família do meu filho.
Duda riu, aparentemente achando graça da coincidência.
— Ah, é deliciosa, né? Vamos combinar de ir para a fazenda em Sinaloa qualquer dia desses. Você e o Rodriguinho precisam conhecer meu avô e minha avó, eles vão adorar vocês.
Então Rodriguinho também tinha bisavós? Meu filho era tão sortudo…
— Eu nunca fui para Sinaloa. — Confessei, descendo do carro, ainda processando a ideia.
— Vamos tirar umas férias e levar o Rodriguinho para andar de cavalo. — Duda disse com um sorriso, enquanto caminhávamos em direção à entrada da casa.
A ideia de férias e passeios a cavalo me fez sorrir pela primeira vez em horas. Talvez, só talvez, essa nova fase da minha vida pudesse ser mais leve do que eu imaginava.
Os seguranças foram incrivelmente prestativos, descarregando o carro com uma rapidez que me deixou sem reação. Enquanto eles levavam as malas para dentro, eu segui Duda pela entrada da enorme casa, uma mansão de verdade, com colunas imponentes e um jardim perfeitamente cuidado. Quando entrei, me deparei com uma cena que derreteu meu coração: Madah estava segurando o Rodriguinho no colo, com um sorriso que irradiava carinho. O tapete da sala estava coberto de brinquedos, e os móveis, que eu lembrava do dia anterior, estavam todos afastados. Era como se a casa inteira estivesse preparada para receber meu filho.
— Olha quem chegou, Rodriguinho! — disse Madah, com sua voz suave enquanto ele batia palminhas, agitado.
Seu rostinho se iluminou quando me viu, e logo esticou os bracinhos em minha direção.

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