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Uma noite, uma vida romance Capítulo 79

GISELE NARRANDO:

A noite estava começando e eu ainda sentia aquele frio na barriga que não sabia se vinha da ansiedade ou da incerteza de estar fazendo a coisa certa. Quando entrei no banco do carona do Range Rover da Duda, meu coração deu um salto. Ela sorriu pra mim, ligando o som, e o reggaeton tomou conta do espaço como uma onda de vibração. O vento da noite entrava pelos vidros abertos, bagunçando meus cabelos, enquanto a batida da música fazia tudo parecer mais leve. O ar fresco acariciava meu rosto, e naquele momento, eu me permiti relaxar e aproveitar. Era a primeira vez que saímos juntas assim, e uma parte de mim estava animada.

Quando chegamos em frente a Love Story , meu queixo caiu. Um letreiro enorme de LED rosa iluminava o prédio imenso que dominava o quarteirão inteiro. Era uma boate, sim, mas parecia mais um palácio de luzes e música. Duda entregou a chave do carro para o manobrista com um aceno casual, e nós descemos. Eu mal consegui acreditar que era segunda-feira – havia uma fila gigante de pessoas querendo entrar.

— Quem sai de casa numa segunda? — Pensei, rindo comigo mesma.

Duda, no entanto, me surpreendeu ao cortar direto para a entrada VIP. Ela disse algo rápido ao segurança, que imediatamente nos deixou passar. O que quer que ela tivesse dito, funcionou rápido. Eu a segui, com o coração batendo forte, observando tudo ao redor. O som da música alta já estava ecoando no meu peito quando Duda pegou minha mão, me puxando para frente, como se conhecesse aquele lugar como a palma da mão. Ela já estava dançando ao ritmo do reggaeton, mesmo enquanto caminhávamos pelo corredor luxuoso, decorado com espelhos e um teto que brilhava.

Ao atravessarmos a enorme porta com uma cortina de panos pretos, eu me vi em um lugar que parecia saído de um filme. A boate estava lotada. As luzes piscavam, uma fumaça de gelo seca criava uma atmosfera única, o ar condicionado deixava o lugar gelado, e havia dois bares enormes de cada lado, repletos de pessoas bebendo e rindo. No centro, um DJ comandava a noite de um palco iluminado em led, enquanto mulheres semi nuas dançavam em postes de pole dance, com movimentos graciosos e sensuais, por vários lugares. O espaço era imenso, com sofás cor de rosa espalhados pelo salão, camarotes nos andares superiores, e gente bonita por todo lado, envolta em um frenesi de luzes, música e energia.

E foi então que ele apareceu.

No meio da multidão, um homem que parecia saído de um sonho dos deuses. Alto, musculoso, com olhos claros e um coque de cabelo loiro preso para trás. Uma tatuagem em seu pescoço e algumas outras em seus braços, visíveis através da camiseta branca mais solta que usava. Ele tinha uma presença que chamava a atenção de todos ao redor. Quando vi Duda largar minha mão e correr para os braços dele, fiquei parada, tentando entender o que estava acontecendo.

— Quanto tempo, Dudinha — ele disse, com aquele sorriso que faria qualquer uma perder o fôlego, apertando-a pela cintura e beijando sua bochecha.

— Sim, faz tempo que não venho ao México. Que saudade, primo — Duda respondeu, radiante.

"Primo?" Então, era dele que ela tinha falado. Antes que eu pudesse analisar tudo, ele me lançou um olhar que fez meu corpo inteiro arrepiar. Era intenso e direto, e eu automaticamente ajeitei meu cabelo atrás da orelha, tentando disfarçar o nervosismo.

— E quem é essa bebecita com você? — ele disse, sem tirar os olhos de mim.

Duda segurou minha mão e me puxou pelo braço.

— Essa é minha amiga, Gisa. E esse é meu primo, Guero.

— Olá, muito prazer — respondi, tentando parecer confiante, mas a timidez me dominava.

Ela riu, mas havia sinceridade em seu olhar quando respondeu:

— Relaxa, Gisa. Ele é da família, super respeitador. Só te achou bonita, prometo que ele não vai fazer nada que você não queira.

— Isso foi estranho... não sei se gostei.

Olhei para Guero subindo na nossa frente, todas as pessoas ao redor olharam para ele, enquanto ele sorria para mim de cima, como se fosse um rei em seu próprio território.

— Gisa, fica tranquila. Você é solteira, vamos curtir essa noite, vem — Duda disse, me puxando de novo, dessa vez mais firme.

Respirei fundo. Tudo foi tão intenso, tão diferente do que eu estava acostumada. Talvez fosse a hora de deixar as preocupações de lado e aproveitar o momento.

O camarote era um espetáculo à parte. Eu nunca tinha visto algo assim de perto. Era grande, espaçoso, com a melhor vista da pista de dança. Sofás largos e confortáveis ​​​​espalhados pelo ambiente e uma enorme mesa de centro no meio, onde garçons colocavam bebidas, baldes de gelo, uísque e saquinhos coloridos. Havia comprimidos de várias cores e tamanhos, além de grandes sacos com maconha, espalhados casualmente entre as bebidas. Tudo ali parecia feito para durar a noite inteira.

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