GISELE NARRANDO:
A noite estava começando e eu ainda sentia aquele frio na barriga que não sabia se vinha da ansiedade ou da incerteza de estar fazendo a coisa certa. Quando entrei no banco do carona do Range Rover da Duda, meu coração deu um salto. Ela sorriu pra mim, ligando o som, e o reggaeton tomou conta do espaço como uma onda de vibração. O vento da noite entrava pelos vidros abertos, bagunçando meus cabelos, enquanto a batida da música fazia tudo parecer mais leve. O ar fresco acariciava meu rosto, e naquele momento, eu me permiti relaxar e aproveitar. Era a primeira vez que saímos juntas assim, e uma parte de mim estava animada.
Quando chegamos em frente a Love Story , meu queixo caiu. Um letreiro enorme de LED rosa iluminava o prédio imenso que dominava o quarteirão inteiro. Era uma boate, sim, mas parecia mais um palácio de luzes e música. Duda entregou a chave do carro para o manobrista com um aceno casual, e nós descemos. Eu mal consegui acreditar que era segunda-feira – havia uma fila gigante de pessoas querendo entrar.
— Quem sai de casa numa segunda? — Pensei, rindo comigo mesma.
Duda, no entanto, me surpreendeu ao cortar direto para a entrada VIP. Ela disse algo rápido ao segurança, que imediatamente nos deixou passar. O que quer que ela tivesse dito, funcionou rápido. Eu a segui, com o coração batendo forte, observando tudo ao redor. O som da música alta já estava ecoando no meu peito quando Duda pegou minha mão, me puxando para frente, como se conhecesse aquele lugar como a palma da mão. Ela já estava dançando ao ritmo do reggaeton, mesmo enquanto caminhávamos pelo corredor luxuoso, decorado com espelhos e um teto que brilhava.
Ao atravessarmos a enorme porta com uma cortina de panos pretos, eu me vi em um lugar que parecia saído de um filme. A boate estava lotada. As luzes piscavam, uma fumaça de gelo seca criava uma atmosfera única, o ar condicionado deixava o lugar gelado, e havia dois bares enormes de cada lado, repletos de pessoas bebendo e rindo. No centro, um DJ comandava a noite de um palco iluminado em led, enquanto mulheres semi nuas dançavam em postes de pole dance, com movimentos graciosos e sensuais, por vários lugares. O espaço era imenso, com sofás cor de rosa espalhados pelo salão, camarotes nos andares superiores, e gente bonita por todo lado, envolta em um frenesi de luzes, música e energia.
E foi então que ele apareceu.
No meio da multidão, um homem que parecia saído de um sonho dos deuses. Alto, musculoso, com olhos claros e um coque de cabelo loiro preso para trás. Uma tatuagem em seu pescoço e algumas outras em seus braços, visíveis através da camiseta branca mais solta que usava. Ele tinha uma presença que chamava a atenção de todos ao redor. Quando vi Duda largar minha mão e correr para os braços dele, fiquei parada, tentando entender o que estava acontecendo.
— Quanto tempo, Dudinha — ele disse, com aquele sorriso que faria qualquer uma perder o fôlego, apertando-a pela cintura e beijando sua bochecha.
— Sim, faz tempo que não venho ao México. Que saudade, primo — Duda respondeu, radiante.
"Primo?" Então, era dele que ela tinha falado. Antes que eu pudesse analisar tudo, ele me lançou um olhar que fez meu corpo inteiro arrepiar. Era intenso e direto, e eu automaticamente ajeitei meu cabelo atrás da orelha, tentando disfarçar o nervosismo.
— E quem é essa bebecita com você? — ele disse, sem tirar os olhos de mim.
Duda segurou minha mão e me puxou pelo braço.
— Essa é minha amiga, Gisa. E esse é meu primo, Guero.
— Olá, muito prazer — respondi, tentando parecer confiante, mas a timidez me dominava.

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