DUDA NARRANDO:
Quando ele me entregou o copo, o líquido vermelho vibrante me chamou a atenção. Peguei o drink e sorri para ele, bebendo lentamente pelo canudo. A mistura era ardida, queimava a garganta e fazia os olhos lacrimejarem.
Horrível. Do jeito que eu gostava.
— Que delícia — falei, lambendo os lábios de forma provocante, o que fez o barman sorrir ainda mais.
Ele estava prestes a responder, mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, senti uma presença ao meu lado. Uma aura imponente, e o cheiro... amadeirado, intenso.
— Pode colocar esse drink na minha conta e preparar outro para ela — ouvi uma voz grave e sensual dizer.
Virei-me lentamente e meu coração disparou ao reconhecer o homem que apoiava o braço no balcão ao meu lado. Era ele, o homem do aeroporto. O mesmo que me fez perder o fôlego assim que cheguei na cidade. Usava uma polo azul clara, calça jeans e sapatênis, com os cabelos loiro-escuros jogados para o lado de forma despretensiosa, e aqueles olhos verdes intensos, que agora me olhavam com um sorriso provocante.
Ele era ainda mais lindo de perto, com a barba perfeitamente desenhada e dentes brancos que brilhavam.
— Gracias — agradeci, levando o copo aos lábios sem desviar o olhar dele.
Ele segurava um copo de uísque puro, tomando um gole logo depois de mim.
— De nada — ele respondeu, fazendo um sinal de brinde com seu copo e bebendo mais um pouco.
Joguei os cabelos para o lado, tentando manter a compostura, e virei outra dose do meu drink.
O barman já havia se afastado para preparar o próximo.
— Eu sabia que ia reencontrar você — ele sussurrou, aproximando-se perigosamente do meu ouvido, me fazendo arrepiar inteira.
Adorava esse jogo de sedução, então dei um passo para trás, sorrindo provocante.
— Eu conheço você? — perguntei, fingindo confusão.
— Ainda não, mas nos vimos no aeroporto. Quando eu cheguei no México — ele disse, sem desviar os olhos, com cada palavra mais envolvente do que a outra.
— Não me lembro — menti descaradamente, mexendo no canudo do meu copo.
— Engraçado, porque eu não consigo esquecer do seu olhar — ele respondeu com uma intensidade que fez minhas pernas tremerem.
Tentei mudar de assunto, porque estava começando a perder o controle da situação.
— O que você está fazendo aqui? — questionei, achando muito estranha a coincidência de reencontrá-lo na boate.
— No México? São negócios — ele disse, bebendo de forma despreocupada.
Eu me lembrava dele de terno, definitivamente com cara de executivo.
— Não, aqui no Love Story. Você não parece o tipo que frequenta boates assim — continuei, terminando meu drink.
— Pareço qual tipo? — Ele perguntou curioso franzindo o cenho e com um sorriso de lado.
— Parece mais o tipo que frequenta restaurantes caros e dorme cedo.
O barman entregou o novo drink, e eu o peguei, ainda observando o homem ao meu lado.
— Tive um dia difícil no trabalho, precisava relaxar. Pesquisei e descobri que essa era a melhor opção para a noite — ele disse, descontraído, mas havia algo magnético nele que me atraía cada vez mais.
— Talvez eu lembre — respondi, sorrindo provocante, jogando o jogo.
— E se eu te der algo para não esquecer? — ele perguntou, abaixando o copo.
— Tipo o quê? — questionei, ainda no jogo.
Sem dizer mais nada, ele colocou seu copo no balcão, segurou minha nuca e me beijou com uma intensidade que fez meu corpo inteiro arder.
Quando os lábios de Renato encontraram os meus, senti uma onda de calor tomar conta de mim. Ele me beijava com uma mistura de urgência e controle que me fazia querer mais. Nossas línguas se envolviam de maneira intensa, como se estivessem travando uma batalha deliciosa, e o sabor de uísque com menta na boca dele só aumentava o desejo que me consumia. Suas mãos firmes seguravam minha nuca e desciam até minha cintura, me puxando para mais perto até que meu corpo estivesse colado ao dele.
Senti a rigidez de sua ereção pressionando contra mim enquanto ele apertava meu bumbum com força, me fazendo arfar entre os beijos. Era impossível não sentir o calor crescendo entre minhas pernas, e o toque dele só aumentava isso. Quando ele mordeu meus lábios de leve antes de afastar o rosto, eu estava ansiosa, completamente tomada pelo desejo de continuar.
— Desculpa… eu... — ele começou a dizer, talvez hesitando pelo momento repentino.
Mas eu não estava nem um pouco arrependida. Pelo contrário. Sem pensar duas vezes, olhei diretamente em seus olhos, meus pensamentos já tomados pela intensidade do que estava por vir.
— Vamos sair daqui — falei decidida, sem esconder minha intenção, virando o drink de uma vez e deixando o copo no balcão.
Ele me olhou com aquela mistura de surpresa e excitação, como se estivesse esperando exatamente por isso. Seus olhos verdes brilharam, e ele nem precisou de mais um segundo para responder.
— Agora. — Sua voz foi firme, enquanto colocava o copo no balcão e, sem hesitar, tirava algumas notas de cem dólares da carteira, deixando-as ali. O gesto casual e confiante dele fez meu coração acelerar, e eu mordi o lábio.
Peguei sua mão com firmeza, tomando a liderança enquanto passávamos pela multidão. Sentia o olhar dele queimando minhas costas, e o calor da sua palma na minha mão me fazia sorrir de maneira predatória. Sabia que estávamos indo em direção a algo perigoso, mas delicioso. Quando passamos por Guero, que estava distraído beijando o pescoço de uma das suas dançarinas, ele ainda levantou a mão em um tchauzinho rápido para mim, e eu retribuí de longe. Não era como se ele fosse sentir minha falta naquela noite.
A música pulsava ao redor enquanto saíamos do camarote e nos movíamos com pressa até a saída do clube. Cada passo aumentava a expectativa, e eu podia sentir o desejo quase palpável no ar entre nós dois. Meu corpo inteiro estava quente, e meu coração batia como um tambor, antecipando o que viria depois daquele beijo arrebatador.

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