DUDA NARRANDO:
Depois de outro banho, para nos limpar deitamos na cama exaustos, e dormimos juntos, completamente nus. Acordei com alguns raios de sol atravessando a janela e batendo no meu rosto. O calor suave me despertou devagar, mas foi o toque quente de Renato, ainda abraçado em mim de conchinha, que me trouxe à realidade. Ele dormia profundamente, sua respiração calma e ritmada me acalmava. Senti seu braço pesado sobre minha cintura e, por um momento, fiquei apenas aproveitando o calor do seu abraço. Ele parecia tão relaxado, que fiquei com receio de o acordar.
Com cuidado, tentei sair da cama sem acordá-lo.
Peguei meu vestido jogado no chão e fui para o banheiro na ponta dos pés. O piso frio sob meus pés descalços me despertou um pouco mais. Ao fechar a porta do banheiro, tentei o possível para não fazer barulho. Usei o banheiro, lavei o rosto e, aproveitando a calma do momento, prendi meus cabelos longos em um coque frouxo, usando os próprios fios.
Olhei meu reflexo no espelho por um segundo, e sorri. Que noite, hein?
Voltei ao quarto, ainda na ponta dos pés, peguei minhas sandálias e meu celular. Ao descer as escadas, silenciosamente, encontrei dois celulares no topo da mesa da sala. Um estava bloqueado, mas outro... Desbloqueado, sem senha. Rapidamente, disquei meu número, e ao ouvir meu celular tocando baixinho, sorri satisfeita. Apaguei a chamada recente e saí pela porta da frente com o mesmo cuidado.
Chamei um carro de aplicativo enquanto descia no elevador do prédio. O porteiro me olhou com um sorriso curioso, que retribui antes de sair pelos poucos degraus da entrada e passar pelo portão. A rua estava totalmente vazia, e agradeci mentalmente por isso. Eu estava descalça, com minhas sandálias Saint Laurent ainda nas minhas mãos.
Ao fechar a porta e o carro começar a andar, suspirei e sorri aliviada.
Renato.
Que homem sensacional! Só de pensar nele, senti meu corpo aquecendo novamente. Era impossível não sorrir, satisfeita com a minha travessura.
Quando o carro estacionou na propriedade dos meus pais, olhei no relógio. Sete da manhã. Merda! Eles já estariam acordados. Sai do carro em um pulo, ainda com as sandálias e meu celular na mão, corri para dentro de casa. Ao entrar, toquei o chão de mármore gelado tentando não fazer muito barulho. O cheiro de café fresco encheu o ar enquanto eu caminhava em direção à sala de jantar, colocando minhas sandálias em um canto.
— Buenos días, família! — Eu disse com um sorriso entrando na sala do café da manhã, fui direto até a mesa pegar um pão doce.
Eu estava faminta.
— Buongiorno, princesa! — respondeu meu pai, sorrindo enquanto tomava um gole de café.
Minha mãe, no entanto, me lançou um olhar mais sério.
— Duda, onde você estava até agora? — ela disse, enquanto terminava de dar frutinhas amassadas para Rodriguinho, que balbuciava algumas palavras.
— Olá, gatinho da tia! Eu fiquei no after do Guero depois da boate... — menti, tentando parecer casual

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