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Uma noite, uma vida romance Capítulo 92

GISELE NARRANDO:

Acordei sentindo como se um caminhão tivesse passado por cima de mim sem ao menos anotar a placa. Minha cabeça parecia que ia explodir, e eu mal conseguia focar em qualquer coisa ao meu redor. Levei as mãos aos cabelos bagunçados, tentando desesperadamente organizar meus pensamentos, mas tudo que senti foi um leve desespero crescendo. Pisquei os olhos, ainda com eles semicerrados, e então percebi que não estava em casa.

“Que lugar é esse?” Pensei, enquanto meus olhos percorriam o quarto.

Era enorme, com paredes de vidro que deixavam a luz suave da manhã entrar pelas cortinas brancas. Ao ver a cama de casal, grande demais para mim sozinha, percebi a pior parte: estava nua.

Só de roupão.

Meus olhos se arregalaram enquanto o calor subiu por minhas bochechas. “Merda”, sussurrei, dando um pulo da cama, o tecido macio do roupão balançando ao redor do meu corpo. Um pânico tomou conta de mim ao perceber que eu não me lembrava de absolutamente nada.

Meu último pensamento coerente era a boate... Duda... e o primo dela.

Merda! Dormi com o primo da Duda. Meus pensamentos corriam como loucos, e eu levei as mãos à cabeça, apertando os cabelos, sentindo a garganta se fechar de nervoso. Não acredito que dormi com um desconhecido de novo.

Olhei na volta da cama, que estava completamente desarrumada. Definitivamente eu não tinha passado a noite sozinha. Foi então que ouvi passos vindos da sala. Minha respiração acelerou, e dei alguns passos silenciosos em direção à porta, rezando para que a pessoa do outro lado não fosse quem eu estava imaginando.

Quando cheguei à porta entreaberta, reconheci a voz… Rodrigo.

Ele estava falando com alguém — um funcionário, aparentemente, que empurrava um carrinho cheio de comida até o meio da sala. Meu coração deu um salto no peito. Segurei o roupão com mais força, tentando me recompor antes de aparecer.

Assim que o funcionário saiu, Rodrigo olhou para mim com uma expressão curiosa, com os cabelos ainda úmidos, usava apenas calças sociais e uma camisa branca, desabotoada nos primeiros botões.

Seu olhar parecia divertido, como se ele já esperasse minha expressão confusa.

— Não acredito que dormi com você de novo!— Disparei, sem pensar duas vezes, com a raiva e o nervosismo explodindo dentro de mim.

Rodrigo soltou um suspiro, tirando a tampa de prata dos pratos com calma.

—Bom dia para você também, Gisele — ele respondeu, pegando um pouco de café como se o que eu disse fosse a coisa mais natural do mundo.

— Bom dia? Como posso ter um bom dia depois disso? Como você teve coragem de ir pra cama comigo de novo?

Ele levantou uma sobrancelha, visivelmente mais interessado no café da manhã do que na minha explosão.

— Ei, calma. A gente não fez nada além de dormir.

No espelho, meu reflexo era um desastre: cabelos desgrenhados, rosto amassado. Soltei um suspiro longo e amarrei o cabelo num coque rápido antes de lavar o rosto com água fria. As lembranças ainda vinham em flashes desconexos, e eu me sentia cada vez mais zonza. Ao sair do banheiro, fui direto até ele.

— Cadê minhas roupas?

—Já mandei pra lavanderia do hotel, essas estão na sacola no sofá. Ah, também comprei uma roupa nova pra você, usar hoje de manhã. Tem duas sacolas pretas com tudo dentro.— Ele disse indicado para o sofá com um movimento casual, voltando a se servir com ovos em seu pão.

Olhei para as sacolas, mas minha mente estava longe, em pedaços, tentando juntar as peças da noite anterior.

— Merda... eu não me lembro de nada.

Rodrigo olhou para mim, com os olhos mais suaves por um momento.

— Deve ser efeito do ecstasy que a Duda te deu. Relaxa, depois passa. — Ele gesticulou para a comida. — Vem comer, tem ovos mexidos, feijão frito, tortilhas, cactus com cebola. Isso vai te ajudar a melhorar

Por algum motivo, aquele cuidado inesperado de Rodrigo me pegou de surpresa. Relutante, fui até a mesa, sentando-me do outro lado.

— Gracias, — murmurei, aceitando a cartela de analgésicos que ele me ofereceu. Tomei dois com o suco de laranja, sentindo a cabeça latejar menos aos poucos.

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