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Uma noite, uma vida romance Capítulo 93

GISELE NARRANDO:

Eu não conseguia parar de comer. Meu estômago parecia um buraco sem fundo, como se eu não tivesse me alimentado por dias. A cada mordida, a vergonha de estar nessa situação me consumia mais um pouco. A boca seca me fez tomar mais suco, tentando disfarçar o constrangimento. Rodrigo estava à minha frente, comendo tortilhas calmamente, como se nada estivesse fora do normal.

— Você não se lembra de nada mesmo de ontem? — ele perguntou, com a voz casual, mas o olhar fixo em mim.

Parei por um segundo, tentando puxar na memória qualquer fragmento da noite anterior. Nada. Apenas um grande vazio.

— Não... fiz alguma coisa terrível? — respondi com receio, temendo a resposta.

Rodrigo deu um sorriso de canto, enquanto levava outra tortilha à boca.

— Não... mas acho que você disse tudo o que tinha vontade de falar na minha cara — ele falou com um tom divertido, enquanto mastigava.

Meu coração deu um salto, e o sangue pareceu subir todo para o meu rosto. O que eu tinha aqui? Que vergonha! A vontade de me esconder debaixo da mesa era quase irresistível.

— Rodrigo, me desculpe se falei alguma besteira — comecei, tropeçando nas palavras. — Mas por que me trouxe pra cá? Não me levou pra casa da sua mãe? Eu nem lembro de você aparecendo na boate...

Minha cabeça estava um caos. Como ele me encontrou? Por que estávamos em um hotel e não na casa dos pais dele?

Rodrigo terminou de beber o café, olhando-me com uma expressão de paciência.

— Eu não ia te levar pra casa da minha mãe naquele estado, Gi. Você estava completamente alterada. Podia acordar a casa toda com seus gritos.

— Merda... eu gritei muito? — suspirei, sentindo um nó se formar no meu estômago.

Ele riu levemente e balançou a cabeça.

— Fica tranquila, só um pouco... Mas teve algo que você disse que me deixou intrigado.

Meu corpo ficou tenso. Ah, não. Será que eu confessei que gostava dele? Merda, Gisele, nunca vou te perdoar por isso!

— O quê? — perguntei, tentando manter a calma, embora minha voz tenha saído mais baixo do que eu queria.

Rodrigo olhou seriamente nos meus olhos, e por um momento, senti meu coração parar.

— Quando a Micaela foi até sua casa, ela humilhou você e o meu filho?

Eu soltei um suspiro de alívio, sentindo o ar finalmente preencher meus pulmões novamente. Então era isso. Pelo menos não tinha sido a outra coisa...

— Ah, eu te falei sobre isso... Bem, sim, ela disse muitas merdas. Como para ficar longe de você, chamou nosso filho de bastardo, disse que vai te dar um filho legítimo... Me chamou de oportunista e outras coisas que eu não consegui engolir. Então joguei a água suja que usei para limpar a casa nela, porque falar de mim tudo bem, mas do meu filho, eu não aceito.

Rodrigo pareceu surpreso, seu olhar escureceu por um segundo antes de ele responder.

— Eu não sabia disso, Gisele. Ela me falou que foi conversar numa boa com você. Só te passei o endereço porque a Micaela sempre foi muito compreensiva e gentil.

Eu ri, mas sem humor.

“Compreensível e gentil” não são as palavras que eu usaria para descrever aquela mulher

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