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Uma noite, uma vida romance Capítulo 94

GISELE NARRANDO:

Respirei fundo, irritada e nervosa com o abuso dele. A frustração me apertou o peito, então decidi ir direto para o banho. Entrei na ducha gelada, sentindo a água fria escorrer pelo meu corpo, lavando os pensamentos estúpidos que me atormentavam. Rodrigo. Ele não sai da minha cabeça, não importa o quanto eu tente. O meu coração batia acelerado, a raiva e o desejo se misturando. Eu queria arrancá-lo da minha mente, apagar o que aconteceu entre nós no passado, seguir minha vida, mas parecia impossível.

— Ele está brincando comigo... e eu detesto me sentir usada — murmurei, frustrada.

Terminei o banho e me envolvi na toalha. Olho meu reflexo no espelho do banheiro enquanto secava o cabelo com o secador, o som abafando os pensamentos, mas não os desligando. A voz dele ainda ecoava na minha cabeça, “você é muito linda.” Só de lembrar, um arrepio subiu pela minha espinha. Flashs daquela noite passaram rapidamente, como um filme.

Naquela noite... molhados no banheiro, ele me prensando contra a parede, o beijo. Um calor subiu pelas minhas pernas só para lembrar do toque dele percorrendo meu corpo. Tentei tirar a roupa dele, mas Rodrigo se afastou, dizendo que não faria nada porque eu estava bêbada. Mas o olhar dele... aquele desejo... ele me queria tanto quanto eu o queria. Mesmo assim, me rejeitou. Eu me senti humilhada, como se tivesse feito algo errado.

— Mas que merda você foi fazer, Gisele? — sussurrei, sentindo o constrangimento me dominar. Eu agradeci internamente que ele não comentou nada no café da manhã. Talvez ele também quisesse esquece, mas isso não diminuía a vergonha.

Saí do banheiro e fui até a sala. No enorme sofá branco com detalhes dourados, vi algumas sacolas pretas. Uma delas tinha as roupas que a Duda me emprestou na noite anterior, mas a outra chamou minha atenção. Um vestido branco com florzinhas azuis, justo até a cintura, com alças que faziam um laço nos ombros. Era lindo, leve, e veio acompanhado de um par de tênis branco de cano alto. Havia também uma calcinha nova. Isso me fez hesitar. Será que ele mandou a vendedora escolher as roupas? Ou comprou tudo pessoalmente?

Além disso, tinha alguns acessórios e uma pequena bolsa azul clara. Tudo tão no meu estilo. Eu não sabia que ele me conhecia tão bem.

Me vesti rapidamente, fiz uma ligação pelo telefone do quarto para a recepção, pedindo um táxi. Quando fui verificar o valor que Rodrigo tinha deixado para o táxi, era um bolo de dinheiro com vinte mil pesos.

— Que exagero…— Pensei, decidindo que devolveria o restante depois.

Coloquei minhas sandálias na sacola e desci quando me avisaram que o táxi havia chegado.

Saí do hotel ainda meio atordoada. Era tanto luxo, tanto brilho, que parecia um mundo distante do meu. O mármore brilhante, os brilhos imensos, e os funcionários impecavelmente vestidos que passavam por mim enquanto eu caminhava em direção à saída. Era um universo no qual eu não me encaixava. Entrei no táxi, afundando no banco de trás enquanto o motorista se preparava para seguir em direção à mansão dos pais de Rodrigo. Minha mente, no entanto, estava a mil.

Sacudi a cabeça, tentando afastar os pensamentos. Não posso ficar presa nisso. Rodrigo tem esse efeito em mim, mas eu preciso manter o foco. Ainda assim, não consigo evitar o turbilhão que ele provoca dentro de mim.

Quando chegamos na portaria da mansão, a segurança foi concedida após eu falar meu nome e autorizaram o táxi a passar. Observei as barreiras impostas se abrirem lentamente, revelando o caminho arborizado que levava até a entrada das ruas.

— Muito luxo nesse meu novo lar — murmurei para mim mesma, enquanto o táxi seguia adiante.

Quando o carro parou, paguei o motorista com um pouco do dinheiro que Rodrigo tinha deixado. Coloquei a sacola no braço e desci do carro, caminhando pela porta principal da mansão.

O som de música infantil veio da direção da piscina, e o calor do sol já começava a se intensificar. Aproximando-me, vi dona Madah sentada à sombra de um guarda-sol, uma mesa cheia de cadernos, um notebook e papéis à sua frente. Ela estava ao telefone, falando de forma energética.

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