Khaled
O dia foi longo. Negociações exaustivas, reuniões sem fim e decisões que exigiam precisão. Quando finalmente pisei em casa, esperava encontrar um pouco de tranquilidade, mas, assim que vi um dos empregados se aproximando com expressão hesitante, soube que algo havia acontecido.
— Senhor, o pai da senhorita Lara esteve aqui hoje — disse ele, mantendo a postura respeitosa.
Parei de tirar o casaco e olhei para ele com interesse.
— E ela o recebeu?
O homem desviou o olhar por um breve instante.
— Não, senhor.
Isso me pegou de surpresa.
— E por quê?
Antes que ele pudesse responder, uma das empregadas se adiantou e, com a voz baixa, disse:
— Ela afirmou que o pai dela morreu no dia em que a vendeu.
Fiquei em silêncio por um momento.
Não era comum algo me impressionar, mas aquelas palavras demonstravam um ressentimento profundo. Lara não apenas sentia raiva — ela se via como alguém abandonado, traído pela própria família.
Cruzei os braços, refletindo. Eu já imaginava que ela não tivesse um bom relacionamento com a família, mas dizer algo assim sobre o próprio pai mostrava que a ferida era mais profunda do que eu pensava.
— Então Alberto está proibido de entrar na minha casa. Se essa é a vontade de Lara, eu não quero mais esse homem aqui, principalmente quando eu não estiver presente.
A empregada assentiu rapidamente.
— Sim, senhor.
Fiz um sinal para que seguissem suas tarefas e fui até a mesa de jantar, onde a comida já estava sendo servida. Os melhores pratos, preparados à perfeição, aguardavam para serem degustados.
Peguei um copo de vinho e dei um gole, esperando que Lara descesse para jantar. Alguns minutos se passaram e percebi que ela estava demorando mais do que o normal.
— O que está havendo? — perguntei a uma das empregadas.
Ela hesitou antes de responder.
— Senhor, a senhorita Lara se recusou a descer.
Meus olhos se estreitaram.
— E qual o motivo?
A mulher engoliu em seco, como se estivesse relutante em dizer.
— Ela… ela disse que prefere morrer de fome.
Larguei o garfo sobre o prato e soltei um riso baixo, sem humor.
— É mesmo?
A empregada fez um leve movimento com a cabeça, confirmando.
Passei a língua pelos lábios, pensativo. Lara realmente acreditava que poderia me desafiar desse jeito?
Levantei-me da mesa, ajeitando os punhos da camisa, e comecei a caminhar na direção da escada.
— Preparem uma bandeja — ordenei, sem sequer olhar para trás. — Eu mesmo vou entregar o jantar para ela.
Os empregados se entreolharam, surpresos. Normalmente, eu não me preocupava em lidar com essas questões menores, mas Lara não era uma mulher comum. Ela precisava entender sua nova posição.
Minutos depois, uma bandeja de prata foi preparada com uma refeição impecável. Peguei-a com calma e subi até o quarto dela.
Ao chegar à porta, bati três vezes.
Nenhuma resposta.
Bati novamente, desta vez com mais firmeza.
— Lara, abra a porta.


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