Nayla
Eu quase não dormi naquela noite.
Não era enjoo, não era medo exatamente. Era aquela sensação estranha de quando a vida muda de trilho sem pedir licença. Casamento. Tradição. Família poderosa. Tudo isso rodando na minha cabeça enquanto eu encarava o teto do quarto, tentando organizar pensamentos que não queriam ficar em fila.
No dia seguinte, acordei cedo. Ainda estava de pijama quando ouvi a buzina discreta do lado de fora. Não precisei nem olhar pela janela para saber.
Era ela.
Lara não fazia nada sem planejamento. Se ela disse que iria me buscar, ela iria.
Troquei de roupa rápido, um vestido simples, confortável, nada chamativo. Eu ainda não tinha aprendido a me vestir como “noiva de Dubai”. Desci as escadas e encontrei Amir na cozinha, mexendo no celular enquanto tomava café.
Amir levantou o olhar assim que me viu.
Amir: Bom dia, futura esposa milionária.
Revirei os olhos.
Nayla: Não começa.
Ele sorriu de canto.
Amir: Brincadeira. Mas… você está bem?
Sentei de frente para ele.
Nayla: Estou tentando estar. É muita coisa acontecendo rápido demais.
Ele ficou sério.
Amir: Olha pra mim. Você não está sendo empurrada pra nada, está?
Balancei a cabeça.
Nayla: Não. A Lara é firme, mas ela escuta. E o Adir… ele está do meu lado.
Amir respirou aliviado.
Amir: Então vai. Vive isso. Só lembra que, se em algum momento você não quiser, essa porta aqui sempre vai estar aberta.
Engoli seco.
Nayla: Obrigada por não me soltar.
Ele levantou, me abraçou forte.
Amir: Você nunca esteve sozinha, Nayla. Nunca esteve.
Quando saí de casa, o motorista já me esperava ao lado de um carro impecável. Abriu a porta com educação e eu entrei.
O caminho até o mercado foi silencioso. Dubai acordava em outro ritmo. Tudo ali parecia grandioso demais para ser real.
Quando chegamos, vi Lara à distância.
Ela estava elegante, como sempre, usando roupas claras, óculos escuros, postura impecável. Mas, quando me viu, abriu um sorriso sincero, quase maternal.
Lara: Bom dia, Nayla.
Nayla: Bom dia, Lara.
Ela me abraçou de leve.
Lara: Hoje não é sobre pressão. É sobre escolher. Vamos caminhar, observar, sentir.
Entramos no mercado.
Era gigantesco. Corredores intermináveis, tecidos pendurados, joias, perfumes, bordados, pedras, ouro, prata, seda. O cheiro de especiarias misturado com incenso tornava tudo quase hipnótico.
Eu andava devagar, tentando absorver tudo.
Lara: Esse mercado existe há gerações. Muitas noivas da nossa família escolheram detalhes do casamento aqui. Não tudo. Mas o que realmente importa.
Ela apontou para um corredor cheio de tecidos.
Lara: O vestido principal será feito por um ateliê, claro. Mas os detalhes… véus, bordados, aplicações… isso você escolhe.
Passei a mão por um tecido delicado, bordado à mão.
Nayla: É tudo muito… intenso.
Ela sorriu.
Lara: Casamento tradicional não é sobre simplicidade. É sobre significado.
Paramos diante de um vendedor mais velho, que nos cumprimentou com respeito. Lara conversou com ele rapidamente. Eu observava, tentando não me sentir deslocada.
Ele estendeu alguns tecidos sobre a mesa.
Lara: Toque. Sinta.
Passei os dedos devagar. Era leve, quase etéreo.

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