OLIVIA
Marcus parou de repente, e eu corri até eles.
— O que você quer dizer com isso, do que está falando?
Lupita puxou o braço da mão de Marcus e agarrou o meu. Olhou por cima do ombro e depois voltou a me encarar.
— É Nick, ele quer que eu cuide do filho dele.
Ela não fazia sentido nenhum. Quando Nick teria dito isso?
— Por favor, Olivia, você tem que me deixar cuidar dele. Não precisa me pagar, eu faço de graça, contanto que eu possa ficar ao lado dele.
O que diabos estava acontecendo com aquela mulher? Será que ela tinha enlouquecido de vez?
— Você não faz sentido algum. Quando Nick pediu para você cuidar do filho dele? Você já tinha ido embora quando o matou, não cuidava mais do Samuel. O que você está tramando? Está tentando sequestrá-lo e deixar aqueles homens o matarem?
Ela estalou a língua, parecendo irritada.
— Às vezes você precisa calar a boca! Nada vai acontecer com você se não se meter! — Gritou, e depois voltou a me encarar com uma expressão desesperada.
— O Nick não me deixa em paz, não me deixa dormir. Ele fica pedindo para eu vir cuidar do filho dele desde que tirei a vida dele.
Suspirei, soltando o ar que nem percebia estar prendendo.
— Então isso não tem nada a ver com os homens do Xander?
Ela sacudiu a cabeça rapidamente.
— Não, eles se foram. Não estão mais em Vila Nova e não vão voltar. Eu juro, Olivia, vejo Nick em todo lugar. Ele fica perguntando como Samuel está e por que eu estou dormindo sem saber como o filho dele está.
Ao ouvir isso, concluí que Lupita tinha perdido a sanidade. A culpa era tanta que a mente dela estava pregando peças.
— Ponha ela para fora. — Disse a Marcus, virando para sair.
Mas ela agarrou minha mão com força.
— Olivia, por favor, estou implorando! Eu não estou inventando nada, você tem que acreditar em mim. Olha... — Ela apontou para a porta. — Ele está bem ali agora, está nos observando, por favor.
Arranquei meu braço com brusquidão e fui embora. Lupita estava doente, a morte do Nick ainda era uma ferida aberta, e ela vinha esfregar sal nela.
Eu não sabia quando ela tinha se tornado tão cruel e ardilosa.
— Olivia! Não estou inventando nada, olha para mim! Ele está me assombrando, por favor, deixe-me cuidar do filho dele! Eu preciso dormir, mas ele não me deixa!
— Acho que fiquei ganancioso e quis uma parte de uma empresa que não me pertencia. — Ele fez uma pausa e me lançou um olhar. — O que Lupita disse me lembrou do que é importante: ser pai do Samuel, não um empresário tentando roubar o que é dele.
Continuei em silêncio, apenas o observando pelo espelho.
— Não sei o que deu em mim. Me desculpa, meu amor. Vou recuar do Grupo Jones, mas estarei aqui sempre que você precisar de ajuda. E cuidado com aqueles membros do conselho. Eles não querem você no comando e podem tentar roubar a empresa bem debaixo do seu nariz.
Ele tinha razão. Aqueles homens deixaram claro que não confiavam em mim. Tudo bem, tudo que eu precisava era de uma chance para mostrar do que era capaz.
— Obrigada por isso. Eu estava com medo de que os negócios acabassem com nosso casamento.
Ele se levantou, pegou a loção da minha mão, despejou um pouco e começou a massagear meus ombros.
— Não podemos deixar isso acontecer. Somos casados, temos filhos para cuidar. Não podemos deixar coisas materiais destruírem nosso casamento, como se já não tivéssemos motivos suficientes para brigar. — Ele fez uma pausa enquanto massageava meus ombros. — Me desculpa por ter perdido de vista o que realmente importa. Não vai acontecer de novo.
Assenti. Senti alívio, porque não sabia como iria lidar com a situação. Mas uma coisa eu sabia: nunca deixaria ele ter participação na empresa do meu filho.
— Eu te perdoo. Mas o que você acha da Lupita?
Ele suspirou.
— Ela fez a própria cama, agora que deite nela.

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