LUPITA
— Você viu aquilo, não é?
Olhei para ele parado ao lado do meu carro. Ele só me encarava, aquilo estava me enlouquecendo!
— Eu tentei, você estava lá, viu que eles não acreditaram em mim e você sabe como Marcus é.
Aquele desgraçado, merecia estar morto. Eu deveria ter matado ele em vez do Nick.
Será que ele não viu o quanto eu estava desesperada lá atrás? Com que direito ele me expulsou, como se não soubesse o quanto eu fui boa para o Samuel? Marcus achava que era melhor que todo mundo, mas não ia ficar no meu caminho.
Olhei para Nick de novo, ele estava encostado no carro, me olhando com os braços cruzados. Foi aí que percebi que eu não ia dormir mais naquela noite. Dizem que só quem tem assuntos inacabados vira fantasma.
Então por que Nick estava ali? O filho dele tinha uma boa casa, não lhe faltava nada. Por que diabos ele estava me assombrando?!
— Eu não vou desistir, vou voltar para aquela casa de qualquer jeito. Deixa eu tentar outra maneira, tá bem?
Ele continuou me encarando. Lancei-lhe um olhar suplicante. Ele desapareceu e eu suspirei, aliviada. Entrei no carro, apoiei a cabeça no volante e fechei os olhos. Eu não dormia fazia dias. Estava exausta.
Não podia continuar daquele jeito, Olivia e Marcus precisavam me deixar fazer o que o Nick queria, senão eu não ia aguentar muito tempo. Senti minha cabeça ficando pesada de sono e a respiração se acalmando.
Relaxei. Talvez ele tivesse ido embora agora que tinha visto com os próprios olhos que eu tentei, mas não me deixaram cuidar do filho dele como ele queria. Sorri de leve, aliviada, e comecei a relaxar enquanto o sono chegava.
Não dormi por muito tempo. Uma buzina alta me fez despertar, os olhos se arregalaram para ver o que estava acontecendo. Não havia nada, eu ainda estava parada em frente ao portão da Olivia. Suspirei, esfreguei os olhos e bocejei.
Quando já estava voltando a cochilar, alguma coisa me disse para olhar para o banco do passageiro. Quase tive um ataque do coração quando vi Nick sentado ali me encarando.
Suspirei, liguei o carro e fui embora. Só havia uma pessoa que podia falar com Marcus e Olivia por mim.
Eles precisavam me deixar voltar para a casa e me deixar cuidar daquela criança. Dirigi bocejando, até abri a janela para pegar ar fresco e garantir que não ia pegar no sono. Eu não queria sofrer um acidente.
Eu queria viver e ainda tinha coisas para realizar. Chegando à casa do Ethan, estacionei na entrada e desci do carro. Lancei um olhar ao Nick, ele só estava sentado me olhando. Fechei a porta e fui bater na porta da casa.
As luzes estavam acesas, o que me dizia que ele estava em casa. Bati de novo e a porta se abriu. Uma mulher que eu não conhecia apareceu. Ela franziu a testa ao me ver.
— Desculpa, a gente não tem nada para te dar, eu nem cozinhei hoje à noite.
Será que ela achava que eu era mendiga e fui pedir comida? Foda-se! Aliás, seria até melhor se eu fosse sem-teto, pelo menos não teria Nick me seguindo por aí e fazendo perguntas idiotas.
— Onde está Ethan?
Ela se assustou quando perguntei por ele.
— Quem está perguntando?
Ah, filha da puta, achava que eu tinha tempo para ficar ali parada. Era noite, e eu estava exausta.
Em vez de responder, empurrei ela para o lado e entrei.
— Ei! Você não pode simplesmente entrar aqui, quem é você?!
Ethan deve ter ouvido a mulherzinha gritando, porque apareceu apressado, mas parou de repente quando me viu.
— Pode perguntar para ela.
Eles estavam desperdiçando meu tempo.
— Ethan, você tem que falar com Olivia e Marcus por mim. Eles precisam me deixar voltar para a casa e cuidar do Samuel de novo.
Ele franziu as sobrancelhas.
— Mas por que raios eu faria isso? Você quer matar Samuel agora?
Por que todo mundo achava que eu queria matar Samuel? Eu já tinha matado o pai, e ele não me deixava em paz. Por que eu iria matar outro?
— Eu não quero matar ninguém, Nick está aqui, Ethan. Ele não me deixa descansar. Fica pedindo que eu cuide do filho dele. Eu não consigo comer sem ele me perguntar se o filho dele já comeu. Eu não consigo dormir sem ele me acordar para saber se o filho dele está bem. Eu estou desesperada, por favor. Me ajuda.
Ethan me olhou por um momento, sério, como se estivesse refletindo sobre o que eu dizia.
Então caiu na gargalhada.
— Meu Deus, Lupita. — Continuou rindo.
Eu não me importava com isso, desde que no fim ele me ajudasse.
— Boa, garoto! Persegue ela até o último suspiro! — Ele ria enquanto me agarrou pelo braço e me arrastou até a porta. Abriu-a e me empurrou para fora.
— Nunca mais coloque os pés na minha casa ou eu mesmo vou ser o responsável por te matar.

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