LUKE
Eu odiava quando ele não usava o cérebro, como não usara naquela maldita reunião. Eu sabia que eu tinha dito a ele para não deixar ninguém passar por cima, que ele precisava mostrar dominância, mas ele tinha exagerado. Nós ainda queríamos roubar aquelas pessoas descaradamente; como iríamos conseguir isso se íamos ter aquele cara vigiando cada um dos nossos movimentos?
— Você me disse para ser assertivo, e eu fui. — Ele chamava aquilo de assertivo. Uau! — Aquilo não foi assertivo, aquilo foi pura dominação. Lá atrás você foi o que chamam de líder autocrático. Era do seu jeito ou rua.
Ele franziu a testa, olhando para mim de um jeito estranho.
— O quê! — Eu rebati.
Ele levantou as mãos em sinal de rendição.
— É que é exatamente como você é, ou do seu jeito ou rua.
Aquilo importava? Não importava, não era sobre mim, mas sobre ele.
— Você sabe o que vai acontecer agora por causa do que você fez? — Ele ergueu uma sobrancelha.
— Aquele homem vai nos vigiar como um falcão, eles sabem quem eu sou e o que eu faço. Eles não vão simplesmente nos deixar fazer o que quisermos. Agora o plano vai demorar mais do que o esperado, porque agora nós temos que ganhar a confiança deles antes de podermos nos mover livremente.
Ele franziu as sobrancelhas.
— Não, nós não vamos adiar o plano, eu não vou liderar um império do crime mais do que preciso. Se eu tiver que fazer isso às claras, com eles vendo, então é isso que eu vou fazer!
O imbecil ia nos matar!
Ele estava fervendo, então aquilo significava que eu tinha que ser o calmo e colocar algum juízo na cabeça dele.
— Marcus, o nosso plano não envolvia nos matarmos. Nós dissemos que íamos jogar com inteligência e, quando eles percebessem o que estava acontecendo, já seria tarde demais. Como vamos fazer isso se você for ficar afrontando?
Ele devia achar que era um gato com nove vidas, que diabos ele estava pensando?
— Luke, ainda podemos fazer isso, mas nós não vamos adiar o plano. Aquilo é a minha herança, eles são apenas investidores; se quiserem o dinheiro de volta, eu prefiro vender tudo e pagá-los; assim eu fico com o Grupo Walker e vou ficar bem.
Ele achava que era tão simples, mas não era.
— Marcus, ouça a razão. Se você fizer isso, então é garantia de que vai estar morto. Se quiser mesmo fazer isso, então eu sugiro que comece a pôr os assuntos em ordem, porque você não vai viver muito. Pense nisso.
Ele andava de um lado para o outro pela sala.
Porra! Por que Nick não estava ali. Quando coisas como aquelas aconteciam, eu não conseguia deixar de sentir falta dele. Ele era mais do que capaz e eu teria me aposentado oficialmente se ele estivesse por perto. Ele conquistara o respeito dos meus homens, e ele ia ser um grande Don da máfia Black.
— Por que parece que você não quer que eu diga nada a ela? — Ele finalmente adivinhara o que eu pensava.
— Eu não acho que a minha opinião ou os meus pensamentos devam importar no seu casamento, mas, se você me pergunta como pai dela, eu diria para não contar nada. Você viu como ela ficou preocupada por causa de uma única reunião? — Ele suspirou.
Ainda havia um longo caminho pela frente; ele não podia estar cansado com apenas uma reunião. Ele ligou a televisão e então apareceu outra coisa.
— O corpo de uma mulher de cinquenta anos foi encontrado em sua casa pelo filho, na noite passada. A causa da morte ainda é desconhecida. Acredita-se que a mulher seja mãe do co-CEO do Grupo Jones, Nathan White.
Marcus olhou para mim, e eu apenas dei de ombros.
— Não faça isso, Luke, você é quem disse que vai cuidar de Nathan. Você mandou matar a mãe dele?
Eu ri. Aquele não fora o meu plano, eu nunca pretendia lidar com ele daquele jeito.
— Eu acho que o seu pessoal a matou.
Ele franziu a testa; o quê, ele achava que eu era o único com os olhos em Nathan?
— Por que eles fariam isso? Eles não tinham motivo! — Naquele momento, ele estava ficando louco. — Por que você não liga para George e vai ao fundo disso? Você sabe que, se eu tivesse mandado matar, eu não estaria negando.

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