POV: ALESSIA LOMBARDI
O vento cortante da noite batia no meu rosto enquanto eu seguia os passos pesados de Dominic para fora da pista de pouso. Eu esperava encontrar uma masmorra, mas o que surgiu diante de mim era uma mansão moderna, imponente, com imensas paredes de vidro que refletiam a lua.
— É diferente do que eu imaginei — confessei, tentando não parecer impressionada.
— Achou que eu te traria para um calabouço úmido, uma masmorra ou algum tipo de fosso? — Ele deu um sorriso de lado.
— Fosso, não — murmurei. — Talvez uma masmorra.
Ele soltou uma risada curta, seca. Por um instante, sob a luz do lustre de cristal que brilhava através do vidro da entrada, eu me perdi naqueles olhos de cores diferentes. Dominic Ferraro era, de um jeito perturbador, o homem mais bonito que eu já tinha visto. E isso me assustava mais do que a sua faca. Virei o rosto rapidamente; eu não podia me dar ao luxo de admirar o meu captor.
— Lorenzo, leve-a para o quarto — ele ordenou, sua voz voltando ao tom frio de comando. — Vou buscar uma garrafa de água para ela.
Dominic se afastou e Lorenzo tocou meu braço levemente, guiando-me escada acima. O silêncio do irmão mais novo era menos intimidador, mas ainda assim pesado.
— Ele não parece bater muito bem da cabeça. — eu comentei tentando não ser uma escrota, total, mas precisava saber com quem eu estava metida.
— Meu irmão é diagnosticado com psicopatia, Alessia — Lorenzo respondeu com uma neutralidade que me gelou. — Com o tempo, você se acostuma. Ele é a pessoa mais real que você vai conhecer, porque nunca finge o que sente. Mas um conselho: não faça nenhuma gracinha. Enquanto você se comportar e não entrar no jogo dele, ele não vai te machucar muito... eu acho.
Lorenzo saiu e trancou a porta. O quarto era luxuoso, mas para mim, era apenas uma jaula. Corri para a janela, tateando a esquadria, forçando a trava com os dedos trêmulos. Eu precisava sair dali, precisava de uma rota de fuga antes que o amanhecer trouxesse o que quer que ele tivesse planejado.

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