POV/ Dominic Ferraro
Ela olhou para o vestido ensanguentado na minha mão e depois mergulhou nos meus olhos. O silêncio no quarto era tão denso que eu podia ouvir a engrenagem da mente dela girando. Por fim, ela descruzou os braços e caminhou em direção à porta, passando por mim com o queixo erguido e aquele cheiro de sabonete barato e sangue que estava começando a me viciar.
— Ótima escolha — murmurei, seguindo-a.
A levei para baixo e entramos na SUV preto em silêncio. Sentei-me no banco do passageiro, enquanto Lorenzo se acomodou atrás, ao lado de Alessia. Pelo retrovisor, vi meu irmão manter a pistola apontada para a barriga dela.
— Pode abaixar a arma, Lorenzo — ordenei, sem desviar os olhos da estrada à frente. — Ela não vai tentar fugir. Vai, principessa?
Alessia engoliu em seco, mas sustentou o olhar pelo espelho.
— Eu não sei o que você está planejando, Dominic, mas se a ideia é usar a minha vida para ameaçar o meu pai, você está perdendo seu tempo — ela disse, com uma voz calma tentando parecer indiferente.
— O Leopoldo só tem olhos para o Lucca e para os negócios. Se você quer segredos da família, eu posso te contar o que quiser, mas não ache que eu sou o ponto fraco dele.
— É o que vamos ver — murmurei.
Dirigimos por algum tempo sob um silêncio tenso. Durante todo o trajeto, eu podia sentir os olhos dela cravados nas minhas costas, como se ela estivesse tentando encontrar uma falha na minha armadura. Era uma sensação estranha, um peso que eu não sabia explicar, mas que me deixava desconfortável de um jeito inoportuno. Alessia Lombardi não era apenas uma prisioneira; ela era uma presença que preenchia o oxigênio do carro, roubando a minha atenção sem sequer abrir a boca.
Chegamos à pista de pouso isolada onde o helicóptero já nos esperava. As hélices giravam frenéticas, cortando o ar noturno com um som ensurdecedor que parecia anunciar o fim do mundo que ela conhecia.
— Onde estamos? — ela perguntou assim que descemos do carro, a voz lutando contra o vento.
— Em solo sagrado, principessa. Uma propriedade particular onde Deus não entra e a polícia não tem jurisdição. Daqui até o nosso destino, o único caminho é o céu.
Aproximei-me para ajudá-la a subir. Peguei sua mão para dar apoio e, por um microssegundo, o barulho do motor pareceu silenciar. A pele dela era absurdamente macia, uma seda insultuosa que contrastava com a aspereza das minhas cicatrizes e o sangue seco que ainda manchava meus punhos. Segurei-a por tempo demais, sentindo o calor dela subir pelo meu braço como um rastilho de pólvora.
Ela puxou a mão com força, os olhos brilhando com uma desconfiança afiada.
— Calma, boneca. Não precisa de modéstia agora — ironizei, enquanto nos acomodávamos nos assentos apertados, espremidos entre Lorenzo e outros dois soldados que mal disfarçavam o interesse. — Afinal, eu já vi o inventário completo do que você tem a oferecer no quarto, não lembra?
Alessia cruzou as pernas imediatamente, tentando se encolher no assento sob o olhar predatório dos meus homens.

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