( Quem estava com saudades??)
POV/ ALESSIA
POV: ALESSIA LOMBARDI
Acordei com o peso do braço do Dominic sobre a minha cintura. O sol de São Paulo já filtrava pelas frestas da cortina, mas dentro daquele quarto, o tempo parecia ter congelado na noite anterior. O cheiro dele couro, sândalo e aquele rastro metálico de perigo estava impregnado nos lençóis e na minha pele. Olhei para o teto, sentindo cada músculo do meu corpo protestar com um latejar preguiçoso. Eu deveria estar apavorada por ter me entregado ao meu captor, mas a verdade é que eu me sentia mais viva do que em toda a minha existência na mansão Lombardi.
Virei-me devagar e o observei dormir. Sem a máscara de pedra, Dominic Ferraro não parecia um psicopata; ele parecia apenas um homem exausto de carregar o peso de um império de sangue. Toquei a cicatriz no ombro dele com a ponta dos dedos, um gesto que ele provavelmente odiaria se estivesse acordado. Aquela promessa dele — "Eu vou te proteger" — ainda ecoava na minha mente como um mantra. Eu sabia que o dia 17 estava chegando e que, tecnicamente, eu era um fardo de três bilhões de dólares, mas ali, sob o calor do Brasil, eu era apenas Alessia.
Levantei-me antes que ele acordasse, vestindo uma das camisas dele que mal cobria o necessário. Saí para a varanda e encontrei a Heloísa. Ela estava lá, com aquele olhar perdido que eu já tinha aprendido a identificar: a solidão de quem ama um monstro.
— Bom dia, sobrevivente — ela disse, com um meio sorriso cúmplice.
— Bom dia, Helô. Sobreviver é a minha especialidade, você sabe.
Percebi que ela estava triste, com o olhar fixo no jardim da Fortaleza. Perguntei o que havia de errado e ela suspirou, apontando para um canto do depósito onde algumas caixas estavam empilhadas.
— Era para ser o chá de bebê da Maitê hoje — ela confessou, com a voz embargada. — As decorações estão todas aí, compradas e guardadas. Mas com esse cerco, ninguém pode entrar e nós não podemos sair. Estava pensando em para quem eu poderia doar tudo isso... parece um desperdício de sonhos.
Olhei para as caixas e depois para ela. Um sorriso travesso começou a brotar no meu rosto.
— E por que a gente não faz a festa de qualquer jeito? — sugeri, dando de ombros.
Heloísa riu, mas era um riso sem graça.
— Como, Alessia? Não podemos convidar ninguém. Como vai ser um chá de bebê sem pessoas? — ela questionou, achando que eu estava brincando.
— Quem disse que não temos pessoas? — Apontei para o pátio lá embaixo, onde uma dezena de soldados armados até os dentes faziam a ronda. — Temos aquele monte de brutamontes ali embaixo. Garanto que todos eles devem querer um pedaço de bolo.
Ela arregalou os olhos, soltando uma risada nervosa.
— Eles nunca aceitariam, Alessia! O Dominic ia ter um surto se visse os homens dele brincando de adivinhar sabor de papinha.
— Deixa o Dominic comigo. Ele nem sabe o que é um chá de bebê, para ele vai ser só uma "reunião estratégica com balões" — pisquei para ela, já me sentindo animada.
Maitê apareceu na porta da varanda logo em seguida, acariciando a barriga com um ar cansado.
— Do que vocês estão rindo? — ela perguntou.
— De como os seus seguranças vão ficar lindos usando chapeuzinho de festa, Maitê — respondi, fazendo a Heloísa gargalhar de vez.
Convencer os homens da Fortaleza a trocarem o preto tático pelo rosa foi o primeiro desafio do dia. Noah e Cassian foram os primeiros a aderir, parecendo genuinamente empolgados, mas o resto dos soldados parecia estar cumprindo uma sentença de morte. Ver um bando de machos alfa, armados com fuzis e vestidos com camisetas cor-de-rosa choque, era a imagem mais hilária que eu já tinha visto. Heloísa não perdia um segundo, tirando fotos de todos os ângulos.
— Eu vou mandar isso para o Killian. Ele nunca vai acreditar que o exército do Dominic virou um campo de flamingos — ela riu, ajustando o foco do celular.
O problema, como sempre, era o Dominic. Ele encarava a camiseta rosa sobre a poltrona como se fosse um artefato explosivo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE