POV: ALESSIA LOMBARDI
O jardim da Fortaleza se transformou em um verdadeiro campo de treinamento de paternidade. A gincana começou com a competição de troca de fraldas. Noah parecia o favorito, agindo com uma calma metódica, mas o Dominic... o Dominic surpreendeu a todos.
— Como você sabe fazer isso tão rápido? — perguntei, impressionada, enquanto via o Cassian tentar, sem sucesso, prender uma fralda na própria cabeça.
— Eu troquei mais da metade das fraldas do Cassian quando ele era um bebê — Dominic respondeu, focado na tarefa. — Trocar uma fralda é como destravar uma arma: você precisa de agilidade e não pode ter medo da sujeira.
Eu ri tanto que minha barriga doeu. Heloísa registrava tudo, rindo da cara de indignação do Noah por ter perdido para ele. Depois vieram as provas das papinhas; os soldados, ainda de rosa, tentavam adivinhar sabores bizarros enquanto o Canário fazia caretas de puro desgosto.
Em um momento de pausa, fiz uma aposta com o Cassian para ver quem comia mais brigadeiros. Eu perdi feio. O açúcar brasileiro é um soco no estômago para quem não está acostumado, e o Cassian parecia ter um reservatório infinito para doces.
— Você vai ter um choque glicêmico, garoto! — brinquei, vendo-o devorar o décimo quinto doce.
— Aceita a derrota, Alessia! Você é uma perdedora péssima — ele zombou, limpando o chocolate do canto da boca.
— Você é competitivo, hein...
— Eu puxei essa competitividade dos meus irmãos. Na família Ferraro, ou você vence, ou você nem tenta.
— É, eu percebi — murmurei, vendo o Dominic me observando de longe com um sorriso de canto que fez meu sangue esquentar. Cassian seguiu o meu olhar e depois me encarou, curioso.
— E vocês dois? O que está acontecendo de verdade? — ele sussurrou.
— Nada, Cassian. Eu vou embora em breve, lembra? — tentei manter a voz firme, mas a ponta de tristeza estava lá.
— É sério? Não sabia — ele me olhou triste por um instante e depois deu um sorrisinho. — Mas pelo menos você vai voltar para o seu pai, vai viver uma vida longe de monstros.
— É... — sorri amarelo, pegando um brigadeiro extra só para vê-lo me chamar de "traíra". — Até que eu gosto de viver entre esses monstros, é divertido.
Maitê e Noah ficaram mais no canto deles, aproveitando a calma. O Canário já estava visivelmente "alegre" depois de provar tantas bebidas batizadas, e a risada do Dominic ecoava de vez em quando, um som raro e hipnotizante. No final, cantamos uma canção de ninar para a bebê, que se chamaria Aurora, e o Dominic entregou o envelope com o cheque de 1 milhão de reais. Maitê tentou recusar, dizendo que não precisava de tanto, mas ele foi irredutível.
— É para não passar dificuldades — ele sentenciou, e o assunto foi encerrado.
Quando a festa começou a minguar e o buffet contratado — sob a vigilância constante dos flamingos musculosos — começou a recolher as coisas, eu me ofereci para ajudar a guardar o que sobrou. Eu estava exausta; o dia tinha sido uma montanha-russa emocional e amanhã seria o dia da partida. Fui para a cozinha carregando uma travessa de chocolates, querendo apenas um minuto de silêncio.
Entrei na cozinha vazia e me encostei na geladeira, aproveitando o frescor que vinha da porta aberta enquanto organizava os potes. Suspirei fundo, sentindo o cansaço pesar nos ombros. Fechei a porta da geladeira com um movimento lento e, quando o metal se travou, meu coração quase parou. Dominic estava ali, encostado no balcão de mármore a poucos centímetros de mim, mastigando um doce devagar enquanto me devorava com o olhar.
— Ainda comendo doce? — perguntou, olhando para minhas mãos. — Pensei que você já tivesse enjoado de tanto açúcar.
— É enjoativo demais — respondi, terminando de mastigar o docinho. — Mas é bom. Muito bom.
Peguei um beijinho de coco da travessa e estendi para ele. Dominic não pegou da minha mão; ele se inclinou e mordeu o doce diretamente dos meus dedos, seus lábios roçando na minha pele e enviando uma descarga elétrica por todo o meu braço. Quando terminou, passou o polegar pelo canto da minha boca, limpando um vestígio imaginário de açúcar, e depois levou o próprio dedo aos lábios. Foi a coisa mais absurdamente sensual que já vi. Cada movimento calculado dele parecia feito para me desarmar.
Recuei um passo, sentindo o gelo da geladeira nas minhas costas. A proximidade dele era perigosa para a minha sanidade.
— Você está diferente, Dominic — confessei, a voz saindo quase como um sussurro. Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância, e segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos.
— Diferente como, principessa? Isso é bom ou ruim?

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