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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 157

( Oie estavam com saudades??)

POV: ALESSIA LOMBARDI

Eu não sabia se o que entrava pela fresta da cortina pesada era a luz fraca do amanhecer ou os últimos resquícios de uma tarde cinzenta na Sicília. Para mim, o tempo tinha parado no momento exato em que aquela porta de madeira escura bateu com força, selando o meu destino do outro lado do corredor. Já faziam dois dias. Dois dias inteiros que eu estava jogada de lado naquela cama de casal, encarando uma mancha de infiltração no teto que parecia mudar de forma conforme as horas se arrastavam.

Meus olhos doíam. As pálpebras estavam tão inchadas e secas que arranhavam a superfície do meu globo ocular toda vez que eu tentava piscar. Eu já tinha chorado tudo o que era biologicamente possível. Minhas lágrimas tinham secado na minha pele, deixando um rastro salgado e incômodo nas minhas bochechas, mas a dor interna permanecia intacta, pesada, como se alguém tivesse aberto meu esterno com uma faca de caça, arrancado meus pulmões e costurado o corte de volta com arame farpado.

A única coisa que entrava pela minha garganta inflamada era a água morna que eu bebia direto da jarra do criado-mudo, apenas o suficiente para que meus órgãos não parassem de funcionar. Eu não queria comer. O cheiro de comida que vinha do corredor quando os soldados passavam me causava uma náusea violenta, um aperto no estômago que me lembrava de que meu próprio corpo estava tentando rejeitar a realidade.

Toda vez que o cansaço vencia o horror e eu fechava os olhos por alguns minutos, a armadilha se fechava. A escuridão da minha mente não trazia paz; trazia imagens. Eu via o rosto do Dominic sob a luz suave do painel do jato. Lembrava da pressão exata dos lábios dele contra os meus, do calor das mãos grandes e calejadas segurando a minha cintura como se eu fosse a única estrutura sólida em um mundo prestes a desabar. Eu tinha me entregado àquele homem. Tinha deixado que ele arrancasse a minha inocência e, no processo, achei que tinha arrancado um pedaço da humanidade dele.

Que ilusão maldita. Que humilhação desgraçada.

As palavras dele voltavam em um eco ensurdecedor, batendo de uma têmpora à outra dentro da minha cabeça, destruindo qualquer resquício de orgulho que eu ainda tentava juntar do chão.

— O que aconteceu no Brasil e no avião foi apenas uma diversão, principessa... A única coisa que me interessou foi o seu corpo... É um troféu, nada mais. Não há nada em você, além da sua boceta que eu queira.

Um soluço seco e sem lágrimas escapou da minha garganta, fazendo meu peito arder. Ele tinha me reduzido a isso. Um resto. Um prêmio de consolação para o ego de um Ferraro que queria apenas marcar território na filha do inimigo. A queimação da vergonha subia pelo meu pescoço, sufocante, um calor insuportável que me fazia querer arrancar a própria pele com as unhas para tirar o cheiro dele que ainda parecia impregnado nos meus poros. Ele tinha marcado a minha alma de um jeito tão definitivo que eu olhava para o meu futuro e só enxergava um deserto escuro. Eu não sabia como voltar a ser a Alessia de antes. Aquela garota tinha sido assassinada no pátio daquela fortaleza.

Eu tentava buscar forças. Tentava fechar os olhos e evocar a memória da minha mãe, o rosto suave dela, as palavras de conforto que ela me dizia quando eu era criança e tinha pesadelos na mansão Lombardi. Mas até a imagem dela parecia borrada, distorcida pelo ódio que agora governava aquela ilha. Depois, eu pensava no meu pai, Leopoldo. Em apenas quarenta e oito horas, eu seria arrastada para a fronteira do território e entregue de volta para as mãos dele como uma mercadoria estragada que foi devolvida ao dono original após o uso.

Eu me sentia uma decepção completa. Uma moeda de troca que perdeu o valor antes mesmo do jogo terminar. O que o meu pai faria comigo quando percebesse que eu não era mais a moeda intacta que ele pretendia usar no Conclave? Ele me entregaria ao Marcellos de qualquer forma. Eu seria jogada na cama de outro homem da máfia, parindo filhos para um desconhecido, enquanto o fantasma de Dominic Ferraro continuaria reinando dentro do meu peito, rindo da minha desgraça.

Uma batida suave na porta quebrou o silêncio fúnebre do quarto. Eu não me mexi. Continuei encolhida, com os joelhos puxados contra o peito, os braços abraçando as minhas pernas como se estivesse tentando impedir que meu próprio corpo se partisse ao meio.

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