(O corretoR atualizou então pode ter erros ok.)
POV: ALESSIA LOMBARDI
Fiquei deitada com Dominic por algum tempo, o peito colado nas costas dele, ouvindo o ritmo da sua respiração voltar ao normal enquanto o quarto afundava em um silêncio absoluto. Nenhum de nós dois ousou proferir uma única palavra. Falar significava trazer o relógio de volta para a realidade, e nós queríamos esticar aqueles minutos o máximo que podíamos.
O som estridente do telefone dele cortou o ar, vindo direto do bolso da calça jogada no chão. O estalo da realidade doeu fisicamente. Dominic se levantou da cama de uma vez, quebrando o nosso contato. Ele pegou o aparelho, atendeu com a voz rouca e apenas escutou por alguns segundos antes de desligar.
Ele se virou para mim. Seus olhos bicolores me encararam com uma crueza que me causou um arrepio na espinha.
— Está na hora — ele disse, a voz completamente desprovida da suavidade de minutos atrás.
— Tá bom — respondi, engolindo o nó que travou a minha garganta.
Dominic pegou as roupas dele do chão e se vestiu rapidamente, sem me olhar. Levantei-me logo em seguida, sentindo o rastro dele escorrer pelas minhas coxas, uma ardência que me lembrou de cada promessa silenciosa que havíamos feito entre os lençóis. Fui até o banheiro, passei uma água rápida pelo corpo apenas para tirar o excesso, e vesti o mesmo vestido de alcinha.
Quando terminei, parei na porta do quarto. Olhei para trás, encarando o espaço onde passei os últimos tempos. Meus olhos varreram a cama bagunçada, as paredes, os detalhes daquele cativeiro que, de alguma forma distorcida, acabou virando o meu único refúgio. Lembrei de tudo o que vivi ali dentro, de cada marca, e desabei a chorar. Limpei as lágrimas com as costas das mãos antes de descer as escadas.
Na parte de baixo, o clima de partida já estava montado. Cassian estava parado perto da saída, com o rosto contraído. Não aguentei; aproximei-me e o puxei para um abraço apertado.
— A gente vai se ver de novo, Alessia. Eu sei que vai — Cassian sussurrou contra o meu ouvido, a voz embargada.
— Fique bem, Cassian — pedi, afastando-me o suficiente para olhar nos olhos dele. — Seja um menino bom, tome cuidado. Só fique bem.
— Eu vou ficar bem se você ficar bem — ele respondeu, forçando um aceno com a cabeça.
Olhei para o canto e vi o Canário parado com a postura rígida de sempre. Aproximei-me dele também.
— Obrigada por tudo o que você fez por mim — falei, sincera.
— Por nada, senhorita — ele respondeu com um aceno curto e respeitoso.
Agradeci rapidamente aos outros soldados que faziam a guarda, recebendo apenas acenos silenciosos em troca. Dominic caminhou na frente em direção à área externa, onde o som ensurdecedor das hélices do helicóptero já cortava o vento. O vento forte açoitou o meu vestido e bagunçou o meu cabelo prateado enquanto cruzávamos o gramado. Dominic segurou firmemente o meu cotovelo, ajudando-me a subir na aeronave. Durante todo o trajeto até o embarque, nós não conversamos nada. Absolutamente nada. O silêncio entre nós era uma malha intransponível.
O voo foi um borrão de ansiedade e dor. Quando o helicóptero finalmente pousou no ponto de encontro na Sicília, a realidade me atingiu como um soco no estômago.

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