POV: DOMINIC FERRARO
Os cinco vencedores continuaram no centro do ringue, limpando o sangue dos lábios e tentando recuperar o fôlego. Marlon, Pink, Pitbull, Marco e Pietro. Eles achavam que o pior tinha passado, mas as regras do teste final eram minhas.
Ethan Moretti deu um passo à frente, pulou as cordas com facilidade e parou no centro da lona com uma postura relaxada, os braços soltos ao longo do corpo. Ele olhou para os cinco homens e estalou o pescoço.
— Vocês cinco contra mim. Agora — Ethan ordenou, a voz gélida. — Os dois primeiros que eu botar de costas no chão e imobilizar estão eliminados automaticamente. Os três que sobrarem de pé passam para o teste do Capo. Avancem.
Os soldados se entreolharam, mas o instinto de sobrevivência falou mais alto e os cinco avançaram de uma vez só. Foi um vislumbre de técnica pura. Marco tentou agarrar as pernas de Ethan, enquanto Pietro buscou um soco na linha de cintura. Ethan desfilou a precisão do Krav Magá militar. Ele usou o impulso do próprio avanço de Marco, esquivou do golpe, segurou o braço do homem e aplicou uma torção brutal que jogou o soldado com o rosto no chão, travando o ombro dele em uma chave de submissão. Marco bateu na lona, entregando os pontos. Um eliminado.
Pietro tentou aproveitar que Ethan estava agachado e desferiu um chute. Ethan bloqueou o impacto com o antebraço, levantou-se empurrando a perna do oponente e acertou um golpe de mão aberta direto no pomo de Adão de Pietro. O homem cambaleou, sem ar. Ethan encurtou a distância, aplicou uma rasteira cirúrgica e jogou Pietro de costas na lona, cravando o joelho no peito dele. Dois eliminados.
O cronômetro não bateu três minutos. Ethan soltou os homens, deu dois passos para trás e ajeitou as faixas nas mãos, sem nem estar arquejando. Marco e Pietro foram descartados.
— Três restantes, Ferraro — Ethan soltou, saindo do ringue com um sorriso de canto. — O ringue é seu.
Bati as mãos na lona e passei pelas cordas. Meus músculos estavam travados e a ressaca martelava atrás dos meus olhos, mas a fúria no meu peito subiu como uma onda de veneno. Olhei para os três sobreviventes: Marlon, Pink e o desgraçado do Pitbull.
— Os três de uma vez — ordenei, a voz saindo como um rosnado áspero.
Eles avançaram. Marlon manteve a guarda alta, constante, tentando cercar meu flanco esquerdo. Pink usou a velocidade absurda dele para circular, desferindo golpes rápidos que atingiram a lateral do meu rosto e abriram um corte no meu supercílio. Senti o sangue quente escorrer pelo olho, mas o gosto do ferro na minha boca quebrou a última trava da minha sanidade.
A imagem de Alessia chorando atrás da porta do meu escritório invadiu a minha mente. A dor de saber que amanhã eu a entregaria para o Lombardi virou ódio puro. Eu precisava canalizar aquela m**** em alguém.
Pink veio rápido para desferir outro jab. Antecipei o ritmo, segurei o pulso dele no ar com força o suficiente para esmagar os tendões e o joguei com tudo contra o protetor de cordas. Quando ele ricocheteou, acertei um soco direto na boca do estômago dele. Pink desabou de joelhos, tossindo sangue.
Marlon tempo aproveitar a brecha e me acertou um soco direto no maxilar. Cambaleei um passo, mas curvei o corpo e devolvi com uma sequência de três ganchos no abdômen dele, quebrando a postura estável do soldado até ele cair sentado, sem forças para levantar.
Sobrou o Pitbull. O desgraçado que tinha tocado na minha prateada semanas atrás.
Ele tentou avançar com um cruzado pesado, mas eu não desviei. Aceitei o impacto do soco dele na minha bochecha apenas para segurar o pescoço dele com as duas mãos. Eu perdi o controle. Completamente.
Derrubei o brutamontes na lona e montei em cima do peito dele. Comecei a desferir socos em sequência, um rastro de golpes brutais direto na cara do Pitbull. O primeiro soco quebrou o nariz dele. O segundo rasgou a boca. Eu não ouvia os gritos dos homens no galpão, só ouvia o som dos meus punhos esmagando a carne dele.
— Dominic! Chega! — Lorenzo gritou de fora, mas eu ignorei.
Acertei um soco de direita que estalou o maxilar do Pitbull, quebrando o osso. Eu queria matar. Queria quebrar cada pedaço daquele homem para arrancar o bolo entalado na minha garganta. Segurei o braço do Pitbull e forcei para trás até o osso do ombro se deslocar com um estalo feio. O homem gritou, o sangue dele espirrando no meu terno. Eu levantei o punho para o golpe final, mirando a têmpora dele para encerrar a vida do desgraçado ali mesmo.
— PARA COM ISSO, DOMINIC! CHEGA! — Lorenzo pulou as cordas do ringue e agarrou meus ombros por trás, me puxando com força. — O CARA JÁ ESTÁ CLASSIFICADO! VOCÊ VAI MATAR O SEU PRÓPRIO SOLDADO, PORRA!
Segurei o fôlego, o peito subindo e descendo em espasmos. Ethan entrou logo atrás, ajudando o Lorenzo a me afastar do corpo semi-inconsciente do Pitbull. Olhei para as minhas mãos; os meus nós dos dedos estavam cortados, cobertos de sangue alheio. A fúria cedeu espaço para o cansaço doentio.
— Acabou — Lorenzo soltou, respirando aliviado ao ver que eu tinha parado. — Marlon, Pink e Pitbull. Temos os três representantes. Limpem o ringue.
Saí de cima da lona sem dizer uma palavra. Peguei uma toalha escura que estava pendurada na corda do ringue, limpei o sangue das minhas mãos e do meu supercílio e saí de dentro do ringue.
A eliminatória do Pré-Conclave estava decidida. Os três homens que faltavam para a Mesa de Ferro estavam escolhidos, mas a minha cabeça continuava um inferno.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE