( Esses capítulos sairiam amanhã e depois de amanhã ! porém vou liberar hoje, mas não terá cap..nos dias seguintes. ok)
POV: SIENA
Lorenzo desligou o motor, mas não tirou a mão da minha por um segundo sequer, os olhos deles fixos na entrada escura e decadente do cortiço. Através do vidro, dava para ver o reflexo das luzes baratas do corredor. Os homens continuavam lá, jogando a maldita jogatina de truco, as vozes ásperas ecoando fracas até o veículo.
Lorenzo soltou o ar pelo nariz, o maxilar endurecendo visivelmente ao avaliar o perímetro.
— Se você quiser, pode ir para a minha casa — ele ofereceu de repente, a voz grave descendo num tom baixo e surpreendentemente calmo. — Lá tem um quarto extra. Você vai ficar segura.
O meu coração deu um salto contra as costelas, uma mistura de alívio e pânico me dominando. Mas a minha teimosia falou mais alto. Eu não podia me render daquela forma.
— Não... obrigada — respondi, puxando as minhas mãos com cuidado e forçando um sorriso de agradecimento. — Você já fez muito por mim hoje. Eu preciso entrar, tenho que cuidar da minha gatinha.
— Pode levar a gata também. Não tem problema nenhum — ele insistiu na hora, estreitando os olhos.
— Não precisa, sério. Vai ficar tudo bem. Qualquer coisa eu ligo para você, agora eu tenho o seu número.
Lorenzo me encarou por longos segundos, medindo a minha determinação, até que cedeu com um suspiro pesado.
— Amanhã o Conclave começa de verdade e eu vou ficar extremamente ocupado, Siena. Mas se você precisar de qualquer coisa, se acontecer o menor problema, não hesite em me ligar. Entendido? Descanse.
— Obrigada. Você também.
Abri a porta do carro e o frio da noite de Palermo me atingiu em cheio. Comecei a tirar o paletó dele para devolver, mas ele me barrou com um gesto firme.
— Fica com ele. Depois você me devolve.
Ele saiu do carro e fez questão de me acompanhar pelos corredores escuros do cortiço até a porta do meu quarto.
Passamos direto pelos homens que se amontoavam jogando truco nos fundos do corredor, e no mesmo instante senti os olhares predatórios e pesados deles mirados em mim. O meu estômago revirou, uma queimação ácida de puro nojo subindo pela minha garganta. Mas não disse nada. Apenas respirei fundo, apressando o passo sob a sombra protetora do Lorenzo.
Tranquei a porta com todas as trancas possíveis. O silêncio do cômodo pequeno me abraçou. Coloquei ração para a minha gatinha, que miou baixinho raspando nas minhas pernas, bebi um copo de água e caminhei exausta até a cama. Tirei o vestido, ficando apenas de calcinha e vesti o paletó do Lorenzo de novo. O tecido vinha até o meio das minhas coxas, impregnado com o cheiro dele. Deitei-me debaixo das cobertas e apaguei, exausta.


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